08 julho 2008

Polícia e/ou Ladrão

"Eu não tenho culpa por essa sociedade podre que eles construíram."
(Pai do menino de 3 anos executado por policiais no RJ em Julho de 2008)


Acordei estupefato. Não tenho tempo para ler jornal, então minha sede de informação é saciada pela TV e pela Internet. Acordei, liguei a TV e vi o caso do menino de 3 anos que foi morto baleado pela polícia, que confundiu o carro com o de assaltantes. Ela confundiu e saiu atirando. O que me assusta é que não há nada de estranho aí. Esta é a nossa polícia. O vaselina-reaça do Britto Jr. b(Hoje em dia, TV Record) ficou falando que não é pra falar da corporação como um todo; que é um comportamento de dois policiais despreparados, como tb afirmou o Secretário de (in)segurança Mariano Beltrame. Porra! Até quando vai se repetir a mesma tagarelice?!
É fato que a polícia foi criada no Rio (no Brasil, de forma geral) para proteger a elite. Há 199 anos atraás (vai fazer 200) a Polícia carioca foi criada. Coincidência ter quase o mesmo tempo da chegada de D. João?

A Polícia Militar existe para proteger interesses elitistas. Conto um caso. Parei numa "blitz" (as aspas são intencionais). Corcel 79, mas legalzinho. Pediu documento, olhou... Era o oficial da operação. O soldado para um outro carro que de tão novo não sei o nome. Sai o pai, a mãe e duas filhas pequenas. O oficial pede licença, vai até a família e a libera. Sai o carro e o oficial começa a pagar um esporro escomunal ao soldado e termina com a frase "você tem que parar quem tem cara de bandido". Depois de ter recusado a carapuça, pensei: "e que critério é esse"?

É fato que o Governador Sérgio Cabral está tentando implantar uma política de linha dura, aos moldes da ditadura. Basta lembrar a declaração do Secretário (ou dele, não me lembro bem) de que "um tiro em Copacabana é diferente de um tiro no Alemao". Ese é o ideal que permeia nossa polícia desde sua criação. Ela foi criada, repito, para controle da população pobre. Esta tentativa do Governo Estadualo de implantar esta política de segregação extremada é vergonhosa e discriminatória. Porém ela se torna mais grave quando o maior agente desta política, a Polícia, não tem o menor preparo para efetivá-la. Quando um policial "larga o dedo" pra cima de um carro a esmo a gente acredita que mesmo parecendo impossível, dá sim pra ficar pior. Detalhe: isso acontece todo dia nas favelas e ninguém comenta. Muitos filhos de favelados (que sempre são do tráfico segundo a Polícia) morrem assim, porque simplesmente são confundidos com traficantes. Na favela é fácil dizer isso; na Rua Conde de Bonfim não.

Há dúvidas de que a Polícia (ou melhor, as Polícias) são mal treinadas? Há dúvidas de que se precisa de uma reformulação no treino destes caras? Há dúvidas de que, muito antes disso, precisa-se de uma reformulação no caráter de quem entra e de quem é policial? Porque todo mundo diz o contrário, mas na Polícia a maioria é a de maus policiais. Os bons são, sim, minoria. A Polícia virou uma institucionalização do crime. É o crime regulamentado e com autoridade. E a lei só se aplica a "quem interessar possa".

Enfim, o Governador quer implantar uma política aos moldes de Bogotá-Nova Iorque mas não dá condições de implementação. Cabe perguntar: a população realmente quer uma polícia séria? Começa de baixo: se furar sinal, leva multa; se tiver sem vistoria, reboca; se tiver maconha, vai preso; se tiver transando no carro, também. A sociedade carioca, em específico, se comporta como se estas mortes fossem baixas de guerra, o que acaba por justificar estes atos insanos. A população (principalmente a classe média) quer realmente isso? Uma polícia que funcione pra todos?

OBS: desculpem o texto confuso. Acabei de acordar e ainda não organizei a caixola.

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