Olhei pra foto no jornal
E chorei.
Não verti lágrimas,
pois meus olhos de pedra
e meu peito enrijecido pelos dias cariocas já não suportam lágrimas,
mas por dentro chorei.
Neste dia em que todos tem opinião, queria não ter opinião.
Queria não ter motivo pra opinião como essa.
Queria que eu deitasse e apenas dormisse.
Não queria a raiva que sinto.
Não queria desejar a vingança que entorpece.
Queria apenas um dia comum e de praia.
Queria que o rapaz apenas chegasse em casa para dar um beijo no pai.
Queria apenas que todos chegassem em casa pra mais uma noite de descanso.
Queria que as pessoas desejassem o bem.
Não queria todo este mal...
Queria que o sofrimento fosse um aprendizado
e não a destruição.
Queria que esses meninos celebrassem o amor e a paz.
Queria que essa mãe chorasse a felicidade de mais um aniversário.
Queria que as pessoas se ferissem por cacos de vidros.
Queria que a morte redimisse.
Queria que a vida não fosse mensurável.
Não queria o ódio geral,
nem a comoção.
Queria o respeito, a coletividade, o sorriso,
e não a tristeza, a ira, a espuma na boca.
Não queria ter visto sangue no chão.
Queria ainda acreditar no Homem.
Queria a anormalidade.
Mas hoje não consigo.
Hoje sou Homem, como eles e como todo mundo.
Hoje me repulsa a idéia de pertencer à espécie.
Hoje é um dia comum no Rio.
Apenas um dia comum, com pessoas comuns e um fato comum.
Como eu queria que o comum não existisse,
e que hoje pudesse apenas dizer que o amanhã será tão anormal
que João Hélio ainda estaria vivo!
Mas não... não neste dia comum do Rio de Janeiro.
10 fevereiro 2007
Balada para João Hélio
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Daniel
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08 fevereiro 2007
O Amuleto
No meu peito descansa o amuleto.
Simples;
Proteção;
Segurança;
Lindo.
O amuleto me faz feliz.
O amuleto descansa o meu peito.
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Daniel
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02 fevereiro 2007
Poema pra desabafar
Quando me vi tendo de viver
Comigo apenas e com o mundo
Você me veio como um sonho bom
E me assustei
Não sou perfeito
Eu não esqueço
A riqueza que nós temos
Ninguém consegue perceber
E de pensar nisso tudo
Eu, homem feito
Tive medo e não consegui dormir
(Teatro dos Vampiros - Legião Urbana)
Pedi um amor maduro
Pedi um lugar onde pudesse sentar sem me preocupar com nada
Pedi a Deus a Arca enquanto me afogava no Dilúvio
E assim se fez.
Só que o que é velho pra minha cabeça
é novo no peito.
E olha bem como lidou com o paraíso...
Parece que a criança saiu de casa
e olhou pro céu, e chorou
e sentidno vergonha de suas lágrimas, correu.
É como uma árvore, como um fruto,
É como a sombra, ou como a extrema luz,
É como a palavra sã
É como personificar a felicidade.
E assim preciso de água pra ficar maduro,
água de lágrimas vertidas de um sorriso;
Preciso da paciência alheia num mundo novo;
de tempo, sem contar o tempo;
de um amor bem assim mesmo.
Enquanto as desculpas forem recorrentes
e a sensação de idiotice me perseguir nas minhas tolices
eu vou aprendendo a amar dessa forma nova
a deixar o coração vazio de preocupação
e cheio de surpresa, compreensão e amor,
muito amor.
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Daniel
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