Vou deixar o próprio vídeo responder esta pergunta.
30 dezembro 2007
São os americanos estúpidos?
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A questão das FARC
Este caso agora do governo de Hugo Chavez resgatar prisioneiros venezuelanos a Colombia me fez catar na internet por mais informações que eu pudesse obter pra melhor compreender todo o acontecimento. Procurando sem muito trabalho achei uma excelente entrevista de algum jornalista (creio eu, colombiano) a um oficial das FARC.
A campanha estadunidense contra as FARC difama seu real intento. As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia são, em seu real aspecto, uma organização socialista, de origem campesina que há mais de 40 anos lutam naquele país para tomar o poder. Eis que o recente Plano Colômbia é mais um instrumento para tentar abafar qualquer tipo de movimento de aspirações anti-capitalistas na América Latina. 
A campanha difamatória contra este movimento gira, basicamente em torno das questões das drogas. Dizem os países imperialistas, sob a liderança dos E.U.A., que as FARC se financiam com o dinheiro advindo do comércio internacional de drogas. Pois vale a pena ler esta entrevista para entender que, ao contrário do que as FARC se propõe (e não há discussão, creio, de que ela seja uma organização socialista) as drogas são um comércio que atende ao grande capital, e que, históricamente na Colômbia, como em toda a América Latina (e nós brasileiros entendemos bem disso) a concentração de terras criou uma oligarquia rural que ainda detêm o poder. Eles são os verdadeiros "drug dealers". Lembremo-nos de Pablo Escobar, eleito para o parlamento colombiano, anos antes de ser assassinado.
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29 dezembro 2007
Minha Fé

Vô Zé e minha mãe
Natal serve mais pra lembrar da família idealmente perfeita do que por qualquer motivo religioso ou transcendental. Será que as pessoas sabem realmente o que significa desejar ao outro um bom Natal? Eu digo mais por costume e educação, porque eu não sei o que é isso, porém...
Neste Natal, pra variar, lembrei de meu avô. Minha mãe arrumava tralhas na gaveta de bagulhos e achou alguns manuscritos de Vô Zé.Já estava enfermo. Começava seu definhamento. Um homem que todos viam como patriarca, forte, como o sustentáculo da família, se mostrou, no poema que leva o título desta postagem, fragilizado, cheio de dúvidas e incertezas. Enfim, mostrou sua humanidade. Meu avô não gostava de ir ao médico, razão pela qual viveu calado com um câncer de próstata por mais de 10 anos e que veio a falecer devagar e tragicamente. Não desejo aquela morte a ninguém. Eu viro viado, mas não morro de cancêr da próstata.
Enfim, não como homenagem (porque tanta gente merece, inclusive ele), mas como forma de humanizá-lo e de cumprir o que acho que deve ter sido um de seus últimos desejos, publico aqui abaixo esta poesia de meu avô José de Oliveira Carvalho. Só existe morte com a falta de memória.
Em Deus tudo posso, basta acreditar.
Minhas lágrimas às vezes me revelam isto.
A doença não afastou de mim a alegria de viver e amar minha família.
Amar minha esposa dedicada a Deus e a mim.
Que Deus a proteja.
Deus, filhos são raízes de miha vida. Amo a todos como amo as minha lágrimas.
Deus, netos são o bálsamo para o meu coração, todos eles.
Deus, amigos são a minha esperança.
Deus e Cristo são a solução para a minha salvação.
Que eu nunca esmoreça na fé, nunca!
O hoje para mim é muito importante, mas o amanhã é a minha esperança.
Que Deus me ajude a ser feliz.
Que a tristeza não se aproxime de mim.
O poder do Espírito Santo seja a minha solução.
As lágrimas do meu rostosão o meu refúgio.
Deus é a solução e o meu consolo. Que assim seja.
Estou legal com a vida.
Tudo na vida passa; é só ter esperança e fé.
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Um dia na praia

Ontem fui pra praia com dois amigos meus: o Baiano (ele adora quando o chamo assim) e o Vinicius. Todos os três bem cariocas, apesar do apelido tropicalista que arrumamos para o Bruno no início da faculdade (agora ele ficou com raiva). Enfim, cariocas desde o nascimento, bem da gema mesmo, sei lá quantos anos de praia... Peguei meu isopor com 12 latinhas de cerva bem gelada, duas cadeiras, a chave do carro e lá fomos nós pra Barra da Tijuca. Dia perfeito. Sol a pino, engarrafamento pra chegar, areia lotada, água ardendo de gelada. Só homens! Brinquei até que poderíamos enfim, depois de, vá lá, anos olhar as bundas redondas sem precisar do truque ridículo do óculos escuro. Tudo perfeito mesmo. Chegamos as 12:30. O sol já chegou matando. Sentamos e só gorda pelancuda em torno. Restou o papo. Ficamos conversando. Isso foi até as 17:30. Lembrem-se do horario de verão: o sol era de 16:30. Quando fomos levantar pra ir embora, AI! tudo extremamente ardido. Pensei: "Fudeu!Quando eutomar banho então, aí vem a merda por completo". Resultado: estou neste momento escrevendo este post com duas compressas de gelo na coxa, um dia após. Quando ando pareço cagado nas calças, de tanta dor que dá de esticar as coxas. Não vi bunda, não peguei jacaré e a cerveja me distraiu a tal ponto de me deixar com uma "3o. grau". Conclusão: nunca vá à praia sem sua mulher, ou pior, só com homens. Ela leva tudo o que você precisa e que julga besteira: protetor, guarda-sol, garrafa d'água, biscoito e a única bunda na praia que além de ver você pode encostar e fazer o que quiser (dependendo da sua mulher, claro).
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Marcadores: crônica
27 dezembro 2007
Uma criança na ECO-92
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Marcadores: discurso, ecologia, meio-ambiente
14 dezembro 2007
Rivanildo entra no ônibus e pede uma passagem
Não perguntarei até quando;
todos sabem que provavelmente esta seja sua eternidade.
Não perguntarei porque;
todos sabem quais as mazelas que o fizeram.
Não pedirei em seu nome;
além de comodo e impossível, todos chorarão histórias tristes para glorificarem o mérito de suas vidas
Afirmarei Rivanildo.
Rivanildo é o seu troco, seu dízimo, sua benfeitoria.
Rivanildo é seu carro zero tetraflex,
é o petróleo.
Rivanildo é seu Big Mac, sua Big Coke,
seu Ipod, sua Vuitton.
Rivanildo é a fruta machucada, é o granito,
é a água (trans)lúcida.
É a (es)mola, é a (ignor)ânsia, o (subal)terno.
Melhor é esquecer Rivanildo,
de tanto o que ele é, o que poderá ser o que não será.
Melhor é dormir.
Rezo por ti, Rivanildo, como promessa feita e cumprida.
De que adianta lembrar-te, Rivanildo,
se agora podes estar pronto ou definhando em agonia,
enquanto me preocupo com o calor de meus pés?
Esqueça-nos Rivanlido!
Não se preocupe com a enxada ou com o ônibus.
Vis e oportunistas somos nós! Perigosos!
Até na esmola doada disfarça a esperança da recompensa!
Ninguém pensa em ti,
Rivanildo.
Só a moça que chora te estende a mão.
E ainda prefere abandonar-te,
pra não enfrentar o gigante que carregas nas tuas costas.
Ninguém te quer,
Rivanildo.
Não prestas a ninguém.
Não interessas a ninguém.
Ninguém te dá a mínima,
Rivanlido.
Estás sozinho, e assim
morrerás.
Aguarda tua morte,
Rivanildo,
tua única redenção,
pois nada há de pior do que a pena
de quem te olha,
e somente isso...
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09 novembro 2007
Idĕa
Aquilo que fez o sono dormir
Aquilo que criou Deus e que Deus criou
E que criou a criação de Deus
Meu Deus!
Preciso dormir...
Aquilo que cria, que crua
Desmistifica.
Que nua, desacredita.
Que dita, desaparece.
Aquilo que perturba,
Que existe enquanto houver
Mágoas, ou dúvidas, ou
Mundo.
Mudo...
...
...
Aquilo que mudou
Que mandou, manda
Cala.
Aquilo que na calada
Mata.
Que não...
Não...
Aquilo que não termina,
Que não acaba.
Que se transforma em menina
Aquilo que é janela.
Que nela se transfroma e some,
E volta e some e volta e some e volta
E desiste.
Aquilo que não deixa em paz.
Faz a menina falar.
Me deixa em paz...
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24 outubro 2007
(Mais) Um Dia de Trabalho
Ele pergunta ao louco:
"Você é feliz?"
"Sim."
Segue sua viagem,
com inveja.
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10 fevereiro 2007
Balada para João Hélio
Olhei pra foto no jornal
E chorei.
Não verti lágrimas,
pois meus olhos de pedra
e meu peito enrijecido pelos dias cariocas já não suportam lágrimas,
mas por dentro chorei.
Neste dia em que todos tem opinião, queria não ter opinião.
Queria não ter motivo pra opinião como essa.
Queria que eu deitasse e apenas dormisse.
Não queria a raiva que sinto.
Não queria desejar a vingança que entorpece.
Queria apenas um dia comum e de praia.
Queria que o rapaz apenas chegasse em casa para dar um beijo no pai.
Queria apenas que todos chegassem em casa pra mais uma noite de descanso.
Queria que as pessoas desejassem o bem.
Não queria todo este mal...
Queria que o sofrimento fosse um aprendizado
e não a destruição.
Queria que esses meninos celebrassem o amor e a paz.
Queria que essa mãe chorasse a felicidade de mais um aniversário.
Queria que as pessoas se ferissem por cacos de vidros.
Queria que a morte redimisse.
Queria que a vida não fosse mensurável.
Não queria o ódio geral,
nem a comoção.
Queria o respeito, a coletividade, o sorriso,
e não a tristeza, a ira, a espuma na boca.
Não queria ter visto sangue no chão.
Queria ainda acreditar no Homem.
Queria a anormalidade.
Mas hoje não consigo.
Hoje sou Homem, como eles e como todo mundo.
Hoje me repulsa a idéia de pertencer à espécie.
Hoje é um dia comum no Rio.
Apenas um dia comum, com pessoas comuns e um fato comum.
Como eu queria que o comum não existisse,
e que hoje pudesse apenas dizer que o amanhã será tão anormal
que João Hélio ainda estaria vivo!
Mas não... não neste dia comum do Rio de Janeiro.
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08 fevereiro 2007
O Amuleto
No meu peito descansa o amuleto.
Simples;
Proteção;
Segurança;
Lindo.
O amuleto me faz feliz.
O amuleto descansa o meu peito.
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02 fevereiro 2007
Poema pra desabafar
Quando me vi tendo de viver
Comigo apenas e com o mundo
Você me veio como um sonho bom
E me assustei
Não sou perfeito
Eu não esqueço
A riqueza que nós temos
Ninguém consegue perceber
E de pensar nisso tudo
Eu, homem feito
Tive medo e não consegui dormir
(Teatro dos Vampiros - Legião Urbana)
Pedi um amor maduro
Pedi um lugar onde pudesse sentar sem me preocupar com nada
Pedi a Deus a Arca enquanto me afogava no Dilúvio
E assim se fez.
Só que o que é velho pra minha cabeça
é novo no peito.
E olha bem como lidou com o paraíso...
Parece que a criança saiu de casa
e olhou pro céu, e chorou
e sentidno vergonha de suas lágrimas, correu.
É como uma árvore, como um fruto,
É como a sombra, ou como a extrema luz,
É como a palavra sã
É como personificar a felicidade.
E assim preciso de água pra ficar maduro,
água de lágrimas vertidas de um sorriso;
Preciso da paciência alheia num mundo novo;
de tempo, sem contar o tempo;
de um amor bem assim mesmo.
Enquanto as desculpas forem recorrentes
e a sensação de idiotice me perseguir nas minhas tolices
eu vou aprendendo a amar dessa forma nova
a deixar o coração vazio de preocupação
e cheio de surpresa, compreensão e amor,
muito amor.
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30 janeiro 2007
No meio da estrada
No meio da estrada
Estrelas rodeiam
Estranhos parados.
As margens não importam
ou importam pouco.
Loucos reclusos
Num mundo distante
Num mundo presente
Presente do mundo
E olham pro céu.
Estrelas rodeiam
Os sonhos soltos
Os desejos iguais
O coração mudo
Que quer gritar
O mundo mudo
Que quer sorrir.
Tudo aquilo que houver
No meio da estrada
É um presente do mundo;
E olham pro céu.
No meio da estrada
Os estranhos, parados,
Deixam o céu de lado
E olham pra frente.
E o infinito surge
Várias possibilidades.
Quantidades... BLEH!
E o infinito surge
Carregando desejos
Carregando visões.
No meio da estrada
Se canta
E aparentemente
Nada há que tenha sentido.
E o olhar vira beijo
E o beijo vira amor
Até a hora que as estrelas fogem
E a noite vai embora,
E o sol começa a chegar
Pra ser um inesquecível momento
De estranhos parados
No meio da estrada.
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28 janeiro 2007
Soneto da resposta
E dela fez-se a curva perfeita
e a pele como o sol nascente do dia
e os olhos brilhantes, os cabelos, a boca macia...
E assim, menina, por tempo foi desfeita.
Então criou-se a mulher eleita
E nos ouvidos os sussurros e a língua apaixonada
e na nuca o beijo, e no corpo a mão safada
e o desejo da carne nos lábios liquefeita
Do teu corpo de natural e suave delicadeza
e de teu jeito de menina graciosa
brota a mulher de apetite e leveza.
E da maneira mas justa e maliciosa
acendes o fogo no frio da tua beleza
e me perguntas. Respondo: és linda e és gostosa.
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