25 outubro 2006

Sem Nome III (por enquanto)

Como se houvesse um plano...
A cadela na terra.
Os limoeiros nos fundos.
O rio lá atrás da casa.

Como se houvesse um plano...
Nós na rede, boca a boca
Escutando o vento
E lembrando do começo.

Como se houvesse um plano...
A comida lenta.
A manhã gelada e singela.
A noite e o coachar do sapo.

Como se houvesse um plano...
As crianças sujas no quintal,
A casa cheia de sorrisos
E a gente chorando de felizes.

Como se houvesse um plano,
Eu te amo agora.
E um dia, quem sabe,
Eu possa dizer que houve...

16 outubro 2006

O Gato

O gato espreita a madrugada
gato de supertições e crenças

O gato entra na casa
e ninguém nota sua presença

O gato no meio do mato
não tem medo do que não vê

O gato, negro gato
no escuro, no silêncio... Cadê?

O gato impetuoso e arisco
corre ao menor sinal de vida

O gato, andarilho da noite
caça histórias, abrigo, comida

O gato que enxerga além
pára diante do invisível

O gato que nunca morre
se torna lenda, se torna incrível

O gato que nunca dorme
vive a vida como ninguém

O gato, negro gato
no meio do mato
O gato que enxerga além

Soneto da avessa loucura

Sob os uivos dos cães insômines
e a névoa nos limites do campo;
sob o silêncio dos que dormem, sob o pranto
escuro dos gatos e dos homens;

sob a pouca luz na varanda
e o zunido faminto dos mosquitos;
sob o peito e o coração aflitos;
sob a dúvida de quem realmente manda;

sob a saudade infundável e verdadeira
escrevo versos e uma paixão derradeira
de maneira tola, porém indubitável;

E contigo na cabeça, de forma irreparável
caio na avessa loucura ligeira
de amar-te em versos nessa distância insuportável.

05 outubro 2006

Escapa uma lágrima

Eu to apaixonado
como um menino calado
que guarda amor no peito
e meio que sem jeito
quer dias ao teu lado.

E nao precisa muito
pra perceber essa paixão.
É na distância e na vontade
que a tal da felicidade
deixa o menino bobo no chão.