22 agosto 2006

Daniel boboca

Quando eu fico triste, dói.
Não só aquela dor sentimental
ofegante, misteriosa, inexplicável.
É dor física mesmo; no corpo.
Falta ar, as pernas ficam formigantes,
a cabeça explode e o coração palpita.
É inegável que dor assim é horrível,
mas a dor ofegante, misteriosa, inexplicável
é milhões de vezes pior que qualquer outra.
Não há aspirina pra ela.

Hoje estou triste.
Hoje doem meu corpo e meu coração.
Uma dor que parece ser interminável
que anda de braços dados com a angústia e com a ansiedade.

Eu gostaria hoje (ainda que fosse só hoje)
que alguém me dissese coisas bonitas,
que alguém me dedicasse versos,
sei lá,
que eu fosse a preocupação de alguém ao menos por um segundo.
Eu apreciaria muito um abraço;
não aquele de tapinhas nas costas,
mas o que agarra e só solta quando há a certeza de que tudo está bem.
Um carinho, talvez,
um afago na cabeça ou na nuca.
E se eu não tivesse 25 anos
me recolheria como feto no colo de mamãe
ou alguém que se despusesse a sê-la.

O que verdadeiramente seria bom,
talvez maravilhoso,
seria parar de pensar em mim
e nesta minha vida embrulhada;
seria parar de enxergar
esta torrente de inspirações sentimentais.
Hoje seria bom ser cego.
Só hoje.
Cego e surdo, só.
Porque a voz eu ainda quero
pra gritar, chorar e preservar os outros.

Hoje estou triste.
Vamos ver o que será de mim amanhã.

Um comentário:

BRUNO HELENO disse...

achei lindo! mui boa, verdadeira e rasgada, vomitada, sincera

parabéns !