Cada dia é diferente.
Quedinha, queda ou quedona?
É difícil saber o que se sente
se o coração pára
quando chegas em minha frente.
Sei que o que quero é tê-la
imediatamente.
31 agosto 2006
A Queda
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30 agosto 2006
Torto e sem final
É, eu sei
mas não sei se tinha coragem de saber.
Precisei da coragem alheia pra isso.
Engraçado...
Na verdade eu não entendia muita coisa:
a similaridade, a busca, o desejo.
Filhas... Gaia...
Já pensou se for mesmo minha prima?
Engraçado!
O que eu sempre soube é essa estranheza toda
que é muito boa, sem dúvida,
mas essa estranheza da rapidez que assusta
e que conforta ao mesmo tempo.
Mas se se pensar direito, nem é tão rápido assim...
Engraçado...
E em meio a poemas e confissões
(ou poemas confessionais com esse)
eu vou misturando apreensão, paixão e desejo
e vou caindo de bruços na emoção
e me surpreendo; demais as vezes.
Engraçado isso...
E é indescrítivel a sensação de descobrir
que na negação reside a confissão,
a admissão de um bom perigo.
Não se pode muita coisa,
mas não se controla o querer.
Engraçado, né?
Vou deixar esse poema assim:
torto e sem final,
até por que sabe-se lá o que virá depois
e isso também é engraçado...
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Daniel
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Soneto esparso
O que eu quero nao posso ter
O que eu tenho nao posso ver
O que eu vejo nao posso crer
O que eu creio nao posso querer
O que eu canto nao posso tocar
O que eu toco nao posso escutar
O que eu escuto nao posso falar
O que eu falo nao posso cantar
Quero cantar sorrindo
Quero cair tentando
Quero subir caindo
Quero chegar calando
Quero abrir fechando
Quero fechar abrindo
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24 agosto 2006
Amor
Qual o maior amor do mundo?
Qual neste mundo é o maior?
O de mãe? O de amigo? O de amante?
O amor desconhecido? O ultrajante?
O da dama pelo vagabundo?
Qual neste mundo é o melhor amor?
Aquele que abraça e segura e aperta?
Aquele que de longe compreende e satisfaz?
O inóquo? O turbulento?
O dolorido ou o que traz paz?
Qual é o meu amor?
É o amor clássico ou o pós-moderno?
É o amor Romântico? Parnasiano?
Crítico? O amor subalterno?
Meu amor é porcelana ou pano?
Onde o amor começa? Onde acaba?
Onde perdura o sentimento?
Onde circula tamanha loucura?
Não sei responder nada
Sei que o amor é eterno e sofrimento
E apesar disso há ainda quem o procura.
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O próximo passo
A felicidade súbita
A incerteza retilínea
A alegria momentânea
O paradoxo da dúvida
O espanto ao quadrado
A surpresa cúbica
A espera estúpida
O momento esperado?
A inconstância de viver
O desejo de um abraço
O não saber e o saber
A magnitude do espaço
A hesitação do outro querer
O próximo passo...
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Daniel
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22 agosto 2006
Daniel boboca
Quando eu fico triste, dói.
Não só aquela dor sentimental
ofegante, misteriosa, inexplicável.
É dor física mesmo; no corpo.
Falta ar, as pernas ficam formigantes,
a cabeça explode e o coração palpita.
É inegável que dor assim é horrível,
mas a dor ofegante, misteriosa, inexplicável
é milhões de vezes pior que qualquer outra.
Não há aspirina pra ela.
Hoje estou triste.
Hoje doem meu corpo e meu coração.
Uma dor que parece ser interminável
que anda de braços dados com a angústia e com a ansiedade.
Eu gostaria hoje (ainda que fosse só hoje)
que alguém me dissese coisas bonitas,
que alguém me dedicasse versos,
sei lá,
que eu fosse a preocupação de alguém ao menos por um segundo.
Eu apreciaria muito um abraço;
não aquele de tapinhas nas costas,
mas o que agarra e só solta quando há a certeza de que tudo está bem.
Um carinho, talvez,
um afago na cabeça ou na nuca.
E se eu não tivesse 25 anos
me recolheria como feto no colo de mamãe
ou alguém que se despusesse a sê-la.
O que verdadeiramente seria bom,
talvez maravilhoso,
seria parar de pensar em mim
e nesta minha vida embrulhada;
seria parar de enxergar
esta torrente de inspirações sentimentais.
Hoje seria bom ser cego.
Só hoje.
Cego e surdo, só.
Porque a voz eu ainda quero
pra gritar, chorar e preservar os outros.
Hoje estou triste.
Vamos ver o que será de mim amanhã.
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Daniel
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07 agosto 2006
Irene
Quando tua voz doce e infantil cantou
a casa linda e engraçada de Vinícius
o mundo, como em fogos de artifícios
ao redor da tua alegria, parou.
E quando a luz do sol se apagou
e a noite, de mãos com a lua, caiu,
brincando, teu rosto meigo sorriu
e em festa, o recinto iluminou.
Como pode em tão pouca idade,
tanta sabedoria e inocência
e energia na ingenuidade
conquistar a minha vã carência?
Queria minha filha com a tua felicidade;
linda, doce e criança como que sem urgência.
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