10 julho 2006

Poemas

Eu não decoro poemas.
Poemas não são para serem decorados.
Mas há gente que os decora
para recitá-los a qualquer hora.
Como tratam os poemas...
Como um mendigo vagabundo e desleixado.

Eu não choro com poemas,
mas já chorei com alguns.
Lágrimas de sangue e de tinta
manchadas no papel de quem pinta
agruras, desgostos e problemas.
Meu choro de letras é incomum.

Eu não sinto poemas,
tão pouco alguma misteriosa intenção.
Eu sinto a palavra convertida em dor.
Sinto a felicidade, sinto a angústia do autor.
Poemas não são sentimentos, são dilemas.
Mas quem sou eu pra dizer o que são?

Eu escrevo poemas.
Eu me transformo em uma palavra vã.
Eu me decoro, eu me pinto,
eu me choro e eu me sinto.
Escrevo poemas como quem blasfema,
e ainda assim escrevo-os com afã.

Um comentário:

Anônimo disse...

Os leitores dos seus poemas, choram, riem, se encantam, vibram... Sentem emoções que você consegue passar com palavras sutís ou agressivas, mas palavras!!
Adoro o que vc escreve!!
Sou sua fã!!
Te amo!!!