Ontem te vi em outra
Te vi, mas não te reconheci.
Em outra casa te vi nascer.
Te vi nos teus primeiros passos
e chorei.
Te vi cantar,
brinquei no jardim contigo,
te dei a mão e te puxei ao colo
e chorei.
Não.
Eu não te vi.
Eu te senti, na semelhança do nome
e na fulgidez da idade.
Te senti na inocência dos olhos
e no riso e no choro desconjuntados.
Não.
Não era tu.
Era meu desejo, simples desejo,
de te ter aqui do meu lado;
de poder ter tudo o que vi;
de poder te ter em meus braços
como nos vídeos que vi ontem.
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