04 junho 2006

O mito da (minha) caverna

Neste meu tempo de reclusão
de mim mesmo a mim mesmo
luto por descobrir caminhos que me levem
a um futuro próximo e confortante.
Neste ostracismo ao qual me coloco
para me distanciar deste mundo vicioso
procuro uma procura que me coloque
longe de todos e perto de mim;
forte pra todos e fraco pra mim.
Sim, porque a fraqueza é boa
quando se é de si mesmo.
É autoconhecimento gratuito,
espécie de post-scriptum de uma alma perdida.
Neste meu tempo de perguntas,
neste meu filme sem fim,
nesta minha música sem letras
espero nada além de um afeto.
Não de transeundes ou desconhecidos,
muito menos de pessoas próximas.
Espero um carinho meu,
um simples balançar de mão
que não seja mais um adeus qualquer.

Se eu fosse a mão
afagaria o chão e não o vento.

Um comentário:

Anônimo disse...

Não sei que dizer a respeito deste. Soou a mim como um desabafo, um reencontro, já que "você a você mesmo" te faria beneficamente fraco, sóbrio em si, e essa sua procura que vai desde caminhos a constatações simples "afagaria o chão e não o vento" pareceiu não mais nem menos, mas uma busca pelo concreto (ainda que relativo a seus sentidos) mas que fundamentasse a alma perdida.
Além do que eu já disse, é leve, mas não é fraca, ainda que fosse "fraqueza boa", não poderia ser fraca, contrariando o conceito de densidade didaticamente ensinada, conseguiu ser leve e densa, firme quanto ao que defendia.

Agora falando como uma eitora não crítica. Muito legal!!! De uma sinceridade sadia. Aê! conheço um poeta em carne e osso!