Eu nunca fiz um poema pra você.
Nunca escrevi melodiosamente pra ti.
Logo tu, que és a musa preferida dos poetas,
que é o início de toda a vida de um verso prematuro.
Todas as noites em mim,
às vezes invisível, outras brilhante como ouro;
mas sempre ali presente, olhando para o mundo de longe.
Um cigarro, e viajo até ti, pra te acariciar em pensamento
e te demonstrar o meu amor.
Mulher e mito, meu oceano se curva aos teus pés
e se enche de lágrimas quando o sol se vai.
É na escuridão que fazes teu mistério.
Em tua nova fase, cheia de negra luz,
que me desespero e procuro tua face.
Sozinho, tu és minha companhia na madrugada.
És minha mulher, deusa, beleza,
meus olhos no breu de minha estrada.
Sem ti, descobri, não sou ninguém.
Pra ti este poema, dedicado a uma inteira vida ao meu lado.
Pra ti esta ode; para cantar-te a companhia ocasional
que fazes a todos deste mundo.
E quem sabe este mundo possa um dia cantar
a maravilha que canto hoje:
te ter toda noite
e te ver entre o brilho celeste e a escuridão do infinito.
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