10 abril 2006

Insômine (culpa sua!)

Afaga o meu rosto, vai!
Deita a tua mão em minha face doída
e afaga.
Teu carinho é o meu desejo em segredo.

Deixa eu afagar teu rosto, posso?
Eu ponho meus calos em tua bochecha
e afago.
O meu carinho é um jeito de te ter em mim.

Afaga meu ego, por favor!
Escreve tuas palavras pensando em meu rosto
e afaga.
Tua letra é um véu de consolo pros meus olhos míopes.

Deixa eu afagar teu ego, posso?
Escrevo torturas e inspirações pensando em ti, meu anjo,
e afago.
Meus desejos desnudos em uma vergonha vã.

Afaga minha boca, beija?
Encosta teu desconhecido lábio no meu
e afaga.
Tua boca é fruto do doce sangue de teu sofrimento.

Deixa eu afagar tua boca, posso?
Dizer com a língua o que digo à pena
e afago.
Tecer os anos de diferença em saliva sem voz.

Apaga o meu desejo, agora!
Que o medo e a similaridade me impedem de te avançar.
e apaga.
Quero teu sofrimento; sou canibal e necrófilo.

Deixa eu apagar este poema, posso?!
Que teu branco rosto e tua Moscou são intrigantes,
e apago.
Meu secreto desejo é afagar-te toda, nada mais.

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