31 março 2006

Vendaval

Eu não respeito tempo ou lugar.
Não respeito minhas companhias,
nem mesmo minha condição humana.
Só respeito a elas, inavisadas, replicantes.
Não porque este título de falso poeta me sobreponha sobre algo,
(se é que isto é um título),
muito menos por desgosto da vida, incontestável prazer,
mas porque elas me conduzem; hoje mais ninguém.
Elas sustentam minhas bambas pernas.
Elas cuidam de mim.
Hoje, ninguém mais.

A elas primeiro meu respeito!
Onde for, quando for, com quem for...
Que venham! Venham mostrar o rosto outrora escondido.
Venham assassinar o anonimato das entranhas do ser.
Cantem o louvor de ouvir o som cacofônico do vagabundo.

Eu não respeito nada nem ninguém.
Sou apenas complacente e subalterno.
Não extinguo loucuras, só porque são loucuras
e não recrimino a sua eterna infância.
Eu deixo-as fluir, como o imperioso vendaval
que chega manso e só se faz visível naquilo que toca.

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