Te forjei em pés de barro
e em pesado bronze no teu corpo.
Li estórias pra te inventar
e te criei em mistério insolúvel.
Te matei com água e sal.
Te pari com dor.
Te vi e não te vi.
Te menti pra mim mesmo
e acreditei com sofreguidão.
Te colori em preto e branco.
Te rasguei em pedaços meus.
Te bebi e vomitei;
caí e ainda não levantei.
E agora te expurgo em canções;
expulso os males que me deixastes;
reinvento meu espelho;
sonho novos pesadelos.
Agora viajo pra perto de mim;
crio frases com sentido mínimo.
Me engano e me reengano
em uma fantasia que visto por gosto.
Larga minha mão, sai.
Tira as pedras do meu caminho.
Limpa o lodo que me reveste os olhos.
Vai, que vou atrás. Não olhe.
Vou tomar o caminho incerto.
Vou beber do córrego.
Vou, e não sei se volto.
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