Onde está ele,
agora, fora da tela;
figura sem rosto,
de costas pra janela
do mundo; oposto
ao que hoje é real?
Onde está o arauto
de sua própria morte;
beato da tradição errática;
descobridor incólume de sua sorte?
Ilusão ou história fantástica?
Sucessão ou final?
Onde estão os olhos
cegos de si mesmos,
impotentes de ver à frente,
guiando o futuro a esmo,
relutantes em usar lentes;
estes olhos de olhar venal?
Onde está o Homem,
extraviado, num limbo disperso;
esquecido no desenho da criança;
outrora cantado em prosa e verso,
agora sem cor ou esperança;
com cheiro de terra e cal?
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