01 fevereiro 2006

Sem saber o que fazer

Escutar uma banda nova
Deixar o sorriso no ar
Ficar triste ao acabar
Ferir tudo o que sinto
Cavar a própria cova
Sair do desconhecido recinto

Viver em função de um futuro
Cair e não querer se erguer
Amar e não fazer sofrer?
Chegar para depois sair
Ficar e se sentir maduro
Se assustar e querer fugir

Compor a canção de alguém
Recitar versos desse amor
Pintar telas dessa dor
Dançar a cidade do início
Imaginar o que está além
Cantar a vida, um precipício

Tentar entender o intelegível
Escutar a surdez do tolo
Teimar em solar o bolo
Chutar, no chão, o vagabundo
Fantasiar o factível
Banhar de mel o que já é imundo

Saber aprender a lição
Se entregar sem ter medo
Acontecer sem nenhum enredo
Esquecer o futuro, ainda não veio
Ouvir, de uma vez por todas, o coração
Não parar o movimento bem no meio

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