08 fevereiro 2006

Olhos de criança

Se eu quisesse voar
será que eu voaria?
Se eu quisesse bater minhas asas
para imitar Icarus
será que eu as teria?
Se eu quisesse levantar vôo para rasgar o céu
Será que eu poderia?
Se eu quisesse voar
para chegar perto de Deus
e contar-Lhe todos os meus segredos
será que eu...

Neste vasto céu azul
os sentimentos humanos se perdem
e o olhar ganha distâncias impossíveis.
Neste céu claro e limpo
as nuvens são uma ameaça,
os pássaros são intrusos,
a chuva é uma imensoidão de lágrimas.

É melhor eu ficar aqui no chão
onde eu fico no meu canto, quieto,
e não atrapalho a solidão
deste vasto céu azul.
É melhor abandonar o sonho de criança
e seguir a minha vida como deve ser
e admirar o céu como ele é:
um infinito inexistente no mundo.

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