Quando minhas pernas não aguentarem meus passos
E meus olhos confundirem as palavras que escrevo;
Quando meus cabelos abandonarem o ninho de minhas idéias;
Quando meu coração transformar em pedra o pulsar dos outros,
Quero estar debruçado em uma janela grande
E do lado de fora observar o sentido das coisas.
Quero olhar para a sala vazia e sentir saudades.
Quero a melancolia bucólica do vento em minha face.
E ficar ali parado
Lembrando das minhas faltas e dos meus erros.
Neste momento, quero estar só.
Apenas eu e a janela.
E quando a lágrima cair (certeza inexorável),
E correr no terreno acidentado do meu rosto,
Não quero lenços ou condolências,
Nem tapinhas, nem memórias vãs.
Quero apenas o sentimento de estar sozinho.
Quero apenas a dor e a tristeza, eternas companheiras.
Quero a fantasia da existência humana,
E poder vivenciar naqueles poucos segundos restantes
O sabor outrora esquecido da plena vida.
E ao cair, não quero fazer barulho.
Não suportaria o alarde de ninguém ao meu lado!
Quero que me deixem cair, e só minha lágrima regar o chão,
Sem velas, sem beatificação,
Sem heroísmo, sem gritos.
Apenas eu e a terra molhada.
"Do pó viestes, ao pó voltarás" .
Vivi por dois segundos.
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