Quando minhas pernas não aguentarem meus passos
E meus olhos confundirem as palavras que escrevo;
Quando meus cabelos abandonarem o ninho de minhas idéias;
Quando meu coração transformar em pedra o pulsar dos outros,
Quero estar debruçado em uma janela grande
E do lado de fora observar o sentido das coisas.
Quero olhar para a sala vazia e sentir saudades.
Quero a melancolia bucólica do vento em minha face.
E ficar ali parado
Lembrando das minhas faltas e dos meus erros.
Neste momento, quero estar só.
Apenas eu e a janela.
E quando a lágrima cair (certeza inexorável),
E correr no terreno acidentado do meu rosto,
Não quero lenços ou condolências,
Nem tapinhas, nem memórias vãs.
Quero apenas o sentimento de estar sozinho.
Quero apenas a dor e a tristeza, eternas companheiras.
Quero a fantasia da existência humana,
E poder vivenciar naqueles poucos segundos restantes
O sabor outrora esquecido da plena vida.
E ao cair, não quero fazer barulho.
Não suportaria o alarde de ninguém ao meu lado!
Quero que me deixem cair, e só minha lágrima regar o chão,
Sem velas, sem beatificação,
Sem heroísmo, sem gritos.
Apenas eu e a terra molhada.
"Do pó viestes, ao pó voltarás" .
Vivi por dois segundos.
24 fevereiro 2006
A minha morte
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Daniel
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21 fevereiro 2006
Será?
Os erros são acertos
em dias que virão
de paz, de harmonia
fechando a dor no peito,
erguendo-se do chão.
Não! não há jeito
se o sofrimento é professor
afastando a monotonia
da dor, vislumbrando a vida
como um discípulo
sem conhecer o fim;
se satisfazer ao ver preenchida
a vontade alcançada,
a felicidade tão querida.
E assim a tristeza vira festim
ao ver adiantada
a chegada do amor eterno
que saiu pra dar uma volta,
e agora, destino sem volta,
sai do limbo, do inferno,
e se aquece nos braços
de quem nunca esqueceu
e nunca foi esquecido.
E agradece, e pede a Deus
que a felicidade deste momento
se multiplique pela vida dos dois
que agora um só são,
sorrisos ao vento,
e unidos, são amor, não depois.
São tudo, são crianças.
São Daniel e Fernanda.
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Despedida pra um novo amanhã
Boa noite.
Esta noite fria e gelada
congela a alma;
desfaz o remédio que te dou; aguça a solidão;
delineia a tristeza.
Mas aponta para o dia,
novo dia,
onde o sol pode nascer de novo.
Dorme com Deus.
Que Ele te proteja
e te acompanhe
e vele teu sono
pra te guardar dos males
da noite fria e gelada
que eu passo por aqui.
Sonhe com os anjinhos
te seguindo no paraíso.
E que os arcanjos,
mestres da falange,
guiem teu caminho
junto aos querubins,
símbolos da inocência tua,
te trazendo alegria ao sono.
E que o cupido, anjo-amor,
te aponte minha flecha
pra te acordar,
pra te abrir os olhos.
Comigo
esteja teu pensamento,
teu sonho, teu futuro;
esteja tua vida, minha vida;
seja teu mundo,
tua felicidade.
Comigo esteja você
ainda que apenas em sonho,
seja você comigo.
Te amo
Mais que a mim mesmo.
Mais do que o sofrimento
se mostrou incapaz.
Falsa verdade!
a sua, a minha,
a de todos que não sentem
o que sempre sentimos
e fingimos não...
Não é pouco que te amo.
É muitão.
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12 fevereiro 2006
Num maço de cigarros mora um poema
Minhas cinzas não têm brasas.
Minhas cinzas não têm fênix.
Minhas cinzas não têm côr.
Minhas cinzas são só pó.
São apenas restos de uma vida curta.
Minhas cinzas são cinza.
Como a nuvem agora bem acima de mim,
são uma ameaça.
Minhas cinzas são lembranças.
Minhas cinzas são mistura de chão;
são sujeira, água e calcário.
São desprezo e doença,
são vício e prazer.
Morte.
Minhas cinzas são resto,
são flocos de ignorância no ar,
são desespero e ódio.
Minhas cinzas são o enterro,
minha guimba é o defunto.
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08 fevereiro 2006
Amarguras passadas
Em meu sorriso, a lágrima
Em meu desejo, você
Em minha tristeza, a dor
Em minha vida, sofrimento
Em meu pranto, a perda
Em meus dias, a noite
Em meu caminho, a pedra
Em minha música, o grito
Em minha história, a falha
Em minha visão, a fumaça
Em minha cabeça, a loucura
Em meu canto, as tralhas
Em mim mesmo, um outro
Em meu peito, o amor
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Olhos de criança
Se eu quisesse voar
será que eu voaria?
Se eu quisesse bater minhas asas
para imitar Icarus
será que eu as teria?
Se eu quisesse levantar vôo para rasgar o céu
Será que eu poderia?
Se eu quisesse voar
para chegar perto de Deus
e contar-Lhe todos os meus segredos
será que eu...
Neste vasto céu azul
os sentimentos humanos se perdem
e o olhar ganha distâncias impossíveis.
Neste céu claro e limpo
as nuvens são uma ameaça,
os pássaros são intrusos,
a chuva é uma imensoidão de lágrimas.
É melhor eu ficar aqui no chão
onde eu fico no meu canto, quieto,
e não atrapalho a solidão
deste vasto céu azul.
É melhor abandonar o sonho de criança
e seguir a minha vida como deve ser
e admirar o céu como ele é:
um infinito inexistente no mundo.
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O vaso
Um vaso vazio esconde o conteúdo de mim
Todo emendado, ele cambaleia no aparador
Todos assistem a dança daquele vaso
E ninguém se move,
Ninguém esboça uma só reação
Um vaso grande e bonito e detalhado
E vazio.
Ele dança ameaçando despedaçar-se novamente
Quem esbarrou no vaso?
Quem deu início ao seu movimento ameaçador?
Eu esbarrei no vaso
Eu mesmo topei nele.
Eu sempre faço isso.
E todos olham, sem esboçar nenhuma reação.
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03 fevereiro 2006
Viagem no tempo (inacabado)
Volto atrás.
Sonho atrás.
Sinto outros ares,
novos pesares.
Malícias do tempo, museus?
Antigas visões de Deus.
Meu ditado de outra era
Na minha cabeça, quimera.
Na imaginação faz;
na realidade, jaz.
Vestidos, perucas, homens,
marcas que no tempo somem.
Viagem inseperada
é canção inacabada
Esperança de ficar
e nunca precisar voltar.
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Um poema um tanto brega...
Tuas digitas ainda marcam meu corpo.
Trilhas rasgadas de sangue
ainda marcam a minha carne.
O começo;
o fim.
Aquilo que poderia ser
e não foi.
Um mundo de coisas,
um fundo sem mar.
Uma despedida sem razão.
Me faz entender
Me diz o que fazer
Ainda quero o teu beijo
e o teu amor de dentro.
Eu não queria isso.
Eu não queria chorar.
Eu não pedi nada
além do teu querer.
E eu o tenho
mas não posso ter.
O mundo é meu,
mas não quero o mundo.
Quero o espaço pequeno,
mas gigante,
do teu coração.
E ver teus olhos
e tua boca
e teu corpo...
Não quero nem pensar.
Deixa acontecer
o que tiver pra acontecer.
Eu te amo
e não preciso amar mais ninguém
enquanto você existir.
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02 fevereiro 2006
Soneto do amor adiado
Se faço, se não faço
se disfarço o que penso
se compenso o que é escasso
se o espaço é muito denso
fico tenso e me perfaço;
desembaraço tão pretenso...
Se venço, ganho o cansaço;
se desgraço, perco o senso.
Fracasso, coração em pedaço,
esperança em estilhaço,
lição que não dispenso.
Apenas mais um passo.
Na lágrima, um estilhaço,
um sorriso quiçá extenso.
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01 fevereiro 2006
Sem saber o que fazer
Escutar uma banda nova
Deixar o sorriso no ar
Ficar triste ao acabar
Ferir tudo o que sinto
Cavar a própria cova
Sair do desconhecido recinto
Viver em função de um futuro
Cair e não querer se erguer
Amar e não fazer sofrer?
Chegar para depois sair
Ficar e se sentir maduro
Se assustar e querer fugir
Compor a canção de alguém
Recitar versos desse amor
Pintar telas dessa dor
Dançar a cidade do início
Imaginar o que está além
Cantar a vida, um precipício
Tentar entender o intelegível
Escutar a surdez do tolo
Teimar em solar o bolo
Chutar, no chão, o vagabundo
Fantasiar o factível
Banhar de mel o que já é imundo
Saber aprender a lição
Se entregar sem ter medo
Acontecer sem nenhum enredo
Esquecer o futuro, ainda não veio
Ouvir, de uma vez por todas, o coração
Não parar o movimento bem no meio
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