
Recluso, em um quarto escuro, ele chora. Apenas ele, em sua solidão, habita aquele cubículo de uns 4 metros quadrados. Sem janela, sem luz, sem ar, sem vida, sem nada. Sentado em um chão imundo, com seus braços entrecruzando as pernas encolhidas, ele derrama o pranto de sua tristeza infindável. A porta por onde entrou já não mais se encontra ali. A impressão que ele tem é a de que as paredes, cada vez mais, se apertam, se comprimem, espremendo seu corpo já debilitado, sufocando a sua agonia já companheira de tempos. As lágrimas caindo ao chão e seus soluços de tristeza são os únicos sons que ecoam no lugar. Solitário, sozinho no mundo, permanece ali, parado, estático naquele sentimento de desespero, sem fazer esforço algum para sair. Incerto, ele aceita sua condição e se entrega para a própria sorte. "Aconteça o que acontecer...", ele pensa. E chora. No escuro, ele chora, sentado em um chão imundo.
Pensa em tudo o que acontecera. Pensa em si mesmo agora. Pensa em como e quando entrara ali. Pensa em sua vida sem sentido aparente. Pensa em seus sonhos de mais jovem. E não conclui nada. Põe a mão no chão; pela primeira vez descruza os braços das pernas dobradas e apóia seu braço no chão sujo e encharcado. E chora. Lembra-se de tudo e desata ao pranto nervoso que já se acostumara. Ao arrastar a mão para recuar novamente à posição inicial, esbarra em algo ao seu lado, algo que o surpreendeu apenas pelo fato de estar ali, ao seu lado. Não enxergava nada. Mas mesmo assim pegou o tal objeto para analisar. Parou de chorar, momentaneamente. As lágrimas, fazendo um caminho seco em seu rosto, dão espaço para os soluços de quem retêm o pranto. Pegou um papel com um lápis. É um papel e um lápis. Fica ali, parado, pensando no que aquilo poderia estar fazendo ali. Não consegue ver se o papel está em branco, se está escrito, se é colorido... É um papel e um lápis.
Os soluços ficam fortes novamente. A ânsia de chorar volta quase que rasgando os olhos. Ele pega o lápis, pega o papel e, intuitivamente, começa a escrever. Rabisca o papel todo em tolices que nem mesmo pode ver.
Recluso, em um quarto escuro, ele chora. Agora chora palavras, chora letras, chora lágrimas de tinta; mas ainda chora.
Um comentário:
cobradum est, então o farei:
vim aqui pra lhe dizer que o ministério da saúde mental recomenda à escrita em casos como o seu
menos que isso, eh desperdício de talento
vc eh um poeta (seja lá o que isso quer dizer) e dos bons
essa aqui, introdução, eh uma das minhas favoritas, merece ser emplacada
vc devia, se não conhece, conhecer o trabalho do Paulinho Moska que tb associa as letras com as fotos que ele tira, o ultimo cd foi quase todo assim, eh mui interessante
tah bom né? jah falei o suficiente para um tímido como eu
inté :-)
Postar um comentário