Hoje é meu dia de luto.
Luto pela minha felicidade
que hoje faria aniversário.
Luto pelo meu destino
que é teimoso e não se cumpre.
Luto pelo amor que tive.
Luto pelo meu sonho.
Luto pela minha filha
que não vai nascer.
Luto com meu choro
companheiro amargo das noites.
Hoje é dia de lágrimas.
Hoje meu pranto não pára.
Hoje luto com meu luto
pra ele acabar logo;
pra ela voltar ou ir de vez.
Eu só quero viver.
______________________________________________
Relutei pra postar esse. Mas como a intenção aqui é exorcizar, coloquei ele. Escrevi num dia que não foi muito bom. E foi o que pensei naquele dia...
14 janeiro 2006
30 de dezembro de 2005
Postado por
Daniel
2
comentários
10 janeiro 2006
A Praia
Eu andava na praia.
Andava porque tinha pernas curtas
e não conseguia correr, vontade minha!
E assim olhava para tudo, para todos
e nada conseguia entender
tamanho era o mundo, gigante
frente ao meu mundo franzino.
E admirado, não vi o tempo voar
e as ondas molharam meu corpo
refletindo os raios do nascente.
Eu corria na praia.
Tinha medo do tempo voar.
Minhas pernas mais graúdas tilintavam
pelo vento em meus olhos, pela liberdade
de não perder o tempo admirando
o que vai estar sempre ali.
E não percebia a brisa, o mar
a mulher semi-nua, as gaivotas famintas.
E não percebia o sol da manhã
queimando aos poucos a nuca
de quem está ali para queimar o corpo.
Eu nadava na praia,
para refrescar do sol a pino
porque correr já era futil demais;
porque eu dominava o mar
e não tinha medo das ondas e
nem do tempo passando.
E do mar, via toda a praia, paraíso!
E eu queria voltar, com saudades,
mas a correnteza me impedia pra mais longe;
pra mais perto do horizonte perdido.
E eu gritava por socorro.
Eu deitava na praia.
Deitava porque o mar era perigoso;
porque na areia tinha pessoas minhas
e ali tinha a companhia de mim.
E não importava mais o tempo
se voava, se parava, se sumia.
E deitava e não olhava para o nada
e aproveitava o sol da tarde
pro meu corpo colorir o vermelho
de quem não tem preparo para o sol
e pra descansar as pernas bambas
cansadas de uma orla tão grande.
Eu parava na praia.
Admirava o pôr-do-sol, irradiante
paralisado pelo mar revolto
e pela brisa de fim de dia.
E me irritava com as pessoas que
iam embora sem comigo compartilhar
a visão linda do céu na Terra,
desdenhando do presente diário de Deus.
E, harmonicamente, meu corpo e eu
permaneciámos parados, até o último feixe
se esconder na última onda
do último horizonte perdido.
Eu morri na praia.
Não havia mais sol.
Não havia mais gente
A maré tinha subido.
A areia não era mais quente.
E a praia era só um infinito negro
que não me dava mais a alegria do dia.
E não tinha mais para onde olhar,
não tinha para onde ir.
Então morria no véu escuro do mar noturno
sem razão, sem mundo, sem nada.
Eu andei, eu corri,
eu nadei, eu deitei,
eu parei, eu morri.
Naquela praia gigante
eu vi o tempo passar no paraíso,
eu vi o nascer e o pôr do sol.
Eu cheguei tão perto, tão perto...
E agora, sem saber,
espero o recomeço do dia
para que eu possa fazer da praia
minha casa, minha vida.
Postado por
Daniel
0
comentários
09 janeiro 2006
V
É o sol nascendo de novo?
É um incêndio na mata do vale?
É um farol de um carro ao longe?
É o brilho dos teus olhos?
Não. É a minha miopia
que não me deixa enxergar direito.
Preciso de óculos.
Postado por
Daniel
0
comentários
04 janeiro 2006
Coca Light
Tem gosto suave, leve.
Tem gosto de boca, de beijo.
Acompanha bem um salsichão na brasa.
É menos doce, mas faz um bem...
Só tem um problema,
que nem sei se é problema:
vicia.
Postado por
Daniel
1 comentários
03 janeiro 2006
Introdução

Recluso, em um quarto escuro, ele chora. Apenas ele, em sua solidão, habita aquele cubículo de uns 4 metros quadrados. Sem janela, sem luz, sem ar, sem vida, sem nada. Sentado em um chão imundo, com seus braços entrecruzando as pernas encolhidas, ele derrama o pranto de sua tristeza infindável. A porta por onde entrou já não mais se encontra ali. A impressão que ele tem é a de que as paredes, cada vez mais, se apertam, se comprimem, espremendo seu corpo já debilitado, sufocando a sua agonia já companheira de tempos. As lágrimas caindo ao chão e seus soluços de tristeza são os únicos sons que ecoam no lugar. Solitário, sozinho no mundo, permanece ali, parado, estático naquele sentimento de desespero, sem fazer esforço algum para sair. Incerto, ele aceita sua condição e se entrega para a própria sorte. "Aconteça o que acontecer...", ele pensa. E chora. No escuro, ele chora, sentado em um chão imundo.
Pensa em tudo o que acontecera. Pensa em si mesmo agora. Pensa em como e quando entrara ali. Pensa em sua vida sem sentido aparente. Pensa em seus sonhos de mais jovem. E não conclui nada. Põe a mão no chão; pela primeira vez descruza os braços das pernas dobradas e apóia seu braço no chão sujo e encharcado. E chora. Lembra-se de tudo e desata ao pranto nervoso que já se acostumara. Ao arrastar a mão para recuar novamente à posição inicial, esbarra em algo ao seu lado, algo que o surpreendeu apenas pelo fato de estar ali, ao seu lado. Não enxergava nada. Mas mesmo assim pegou o tal objeto para analisar. Parou de chorar, momentaneamente. As lágrimas, fazendo um caminho seco em seu rosto, dão espaço para os soluços de quem retêm o pranto. Pegou um papel com um lápis. É um papel e um lápis. Fica ali, parado, pensando no que aquilo poderia estar fazendo ali. Não consegue ver se o papel está em branco, se está escrito, se é colorido... É um papel e um lápis.
Os soluços ficam fortes novamente. A ânsia de chorar volta quase que rasgando os olhos. Ele pega o lápis, pega o papel e, intuitivamente, começa a escrever. Rabisca o papel todo em tolices que nem mesmo pode ver.
Recluso, em um quarto escuro, ele chora. Agora chora palavras, chora letras, chora lágrimas de tinta; mas ainda chora.
Postado por
Daniel
1 comentários