Abro uma garrafa de vinho.
Bebo em reverência.
Crio idéias abstratas.
Deixo vir o que é de vento
E estampado em papel branco
Formas vão se esculturando,
Ganhando vida em sequência.
História sem rumo;
Inesperável.
Jogo fora o que não presta.
Lavo a alma no papel.
Maravilhado vejo
Nascer, prematuro, o poema.
O que será de tudo?
Pra onde vai dar a pena?
Quero somente um final.
Rasgo um naco de papel.
Sento, tomo mais um gole.
Tento ler mais uma vez,
Última vez...
Vem a mim a idéia tosca,
Xula e sem sentido:
Zapt! De um tapa acordei...
20 dezembro 2006
Onomatopéias salvam idéias
Postado por
Daniel
0
comentários
12 dezembro 2006
BOICOTE AO FILME "TURISTAS" - QUEM É O BRASIL?
Bom, eu serei breve em meus argumentos por que senão ficaria 3 dias escrevendo...
Tá rolando esse e-mail em favor do boicote ao filme. Legal. Um tanto ufanista demais, mas legal. Sempre bom defender o país e tal. Quem sou eu pra dizer o contrário...
Mas tem algumas coisas que, pelo menos pra mim, tão muito estranhas nessa campanha pró-boicote ao filme.
Pelo visto, tanto o que vi em reportagens quanto o que vi no site do filme (perdi o site oficial, mas aqui vai o do YAHOO: http://movies.yahoo.com/movie/1808762546/info) ele parece realmente denegrir a imagem do Brasil. Nós não somos só bundas, praias, e traficantes que em Hollywood falam espanhol e usam costeletas certo? Será?
Toda vez que alguém importante vem ao Brasil, como ele é recebido no aeroporto? Mulatas usando micro-biquinis e paetês, uma bateria de escola-de-samba qualquer (devem fazer rodízio), muita caipirinha e samba. Foi assim com Príncipe Charles, Michael Jackson e até o Papa João Paulo II. Toda vez que alguém vai no Jô, ou melhor, na Hebe, qual a primeira pergunta que fazem? "O que você achou das mulheres brasileiras?" ou "Já provou a caipirinha?". A gente é bombardeado todo dia com imagens de violência e medo; todo santo dia. Todo dia aparece uma história de drogas, sequestro, assalto, família queimada no carro, homem que matou a amante na frente da mulher. Não sou moralista ao ponto de entrar pela "historinha do boi-tá-tá" de banalização da violência. Mas o que estamos reclamando? Entre em qualquer banca de jornal e você vai ver 300 cartões postais com bundas em Ipanema. A gente é o que a gente quer ser. Posso pensar errado, mas não acho que eles sejam os culpados por fazerem esse filme. Alguém realmente acha que um grupo de executivos e produtores hollywoodianos sentou em uma mesa de vidro em algum lugar de Los Angeles e resolveu denegrir a imagem do Brasil de propósito? "Vamos sacanear aquele bando de chicos?". Se existe essa imagem, é por que nós perpetuamos.
Não acho que se deva boicotar o filme. Dinheiro esses caras ganham de qualquer jeito, senão não teriam nem grana pra fazer o filme. Sinceramente, alguns milhões em uma terra distante não é nada pra eles. Até por que se os brasileiros deixarem de ver, os argentinos irão compensar... (rsrsrs)
Acho, pelo contrário, de que todos deveríamos lotar os cinemas. Pra gente prestar bem atenção no que somos pra esses caras. Somos lixo. Somos um bando de selvagens em um conjunto de praias que servem os americanos. Somos golpistas e traficantes dando boa noite cinderela em qualquer branquelo falando estranho. Somos isso pra eles. Ao invés de esvaziar, devemos lotar as salas. Quem sabe assim a gente acorda.
Aí falam de perda de lucro via Embratur. A própria Embratur denigre a nossa imagem lá fora. Já falei disso...
Melhor! Muito melhor! Ao invés de lotar ou esvaziar os cinemas, que tal a gente discutir o nível de pobreza do país, a distribuição de renda, a necessidade de uma reforma agrária, a fome, a população de rua nas grandes cidades, a esquerda que não é mais esquerda, a direita que finge ser esquerda, a violência promovida pelo próprio Estado através da força policial, o genocídio diário nas favelas, a política cultural do governo etc. Meu Deus! Tem tanta coisa pra se discutir! PORQUE A GENTE NÃO DISCUTE?!
Não... a classe média tá muito ocupada, em uma fila de cinema, pensando qual filme deve assistir ou não... Deixa pra lá... É melhor sentar e esperar a pipoca ficar pronta...
DANIEL CARVALHO
dandan_carvalho@yahoo.com.br
***************************************************
E-MAIL QUE ESTÁ RODANDO NA INTERNET
Campanha para BOICOTAR o filme americano contra nosso País!!desconheço a veracidade, mas pode produzir um belo debate:Estou aqui para iniciar uma campanha em massa, e conto com vocês, para BOICOTAR integralmente o filme americano TURISTAS, que estréia lá em 1o de Dezembro e aqui em Janeiro ou Fevereiro, distribuido pela Paris Filmes.Para quem não sabe, o filme conta a história de 6 jovens americanos que vêm ao Brasil de férias.Chegando aqui tomam uma caipirinha com 'boa noite cinderela', são assaltados, sequestrados, torturados e por fim têm os órgãos roubados por traficantes da industria negra dos transplantes. Alguns morrem e mesmo os que sobrevivem não têm um final feliz. O filme é classificado como TERROR, comparado ao filme 'O Alberge', e a EMBRATUR já está tão preocupada com a péssima repercussão do filme lá fora que, temendo uma queda brusca na receita do país vinda do turismo internacional, já está preparando campanhas intensas para serem veiculadas lá fora e tentar minimizar os estragos.Façamos então a nossa parte. Vamos fazer deste absurdo, pelo menos aqui no Brasil, um fracasso total de bilheteria.NÃO ASSISTAM, NÃO DÊEM $$$ A UMA PRODUÇÃO QUE SÓ VISA DENEGRIR NOSSA IMAGEM.Só pra se ter uma idéia, o trailer começa com a frase: 'Num país onde vale tudo, tudo pode acontecer!!! '
Postado por
Daniel
0
comentários
05 dezembro 2006
Acabou?
E de repente minha sede por poemas sumiu.
Não sinto mais a necessidade de escrever.
A angústia, motora da minha pena, não me presta mais a visitas.
E posso dizer que até me sinto sozinho.
Até quando?
Acho que até este amor durar só serão lidos poeminhas bobos com rimas tolas,
como aquelas de quando éramos crianças.
Mas o que é a poesia, senão uma bobeira que contagia.
Todos somos bobos, como as crianças que costumávamos ser;
poeta é aquele que assume isso.
E nem precisa ser bom pra sê-lo...
Postado por
Daniel
0
comentários
01 novembro 2006
Soneto Inexplicável
Dor inquestionável, tamanha
a saudade, tanto o amor
que dentro de muros e grades
o sofrimento, só, se acanha.
Não é dor de pesar, nem de sanha;
não é angústia, consorte da aflição.
Se há espaço ainda no coração,
é de amor, esta lágrima tacanha.
Dor saudável, saudosa dor
Aperto no peito, sorriso
que agora em tudo me acompanha.
Misteriosa saudade de uma flor,
se tudo que eu preciso
está atrás daquela montanha.
Postado por
Daniel
0
comentários
25 outubro 2006
Sem Nome III (por enquanto)
Como se houvesse um plano...
A cadela na terra.
Os limoeiros nos fundos.
O rio lá atrás da casa.
Como se houvesse um plano...
Nós na rede, boca a boca
Escutando o vento
E lembrando do começo.
Como se houvesse um plano...
A comida lenta.
A manhã gelada e singela.
A noite e o coachar do sapo.
Como se houvesse um plano...
As crianças sujas no quintal,
A casa cheia de sorrisos
E a gente chorando de felizes.
Como se houvesse um plano,
Eu te amo agora.
E um dia, quem sabe,
Eu possa dizer que houve...
Postado por
Daniel
0
comentários
16 outubro 2006
O Gato
O gato espreita a madrugada
gato de supertições e crenças
O gato entra na casa
e ninguém nota sua presença
O gato no meio do mato
não tem medo do que não vê
O gato, negro gato
no escuro, no silêncio... Cadê?
O gato impetuoso e arisco
corre ao menor sinal de vida
O gato, andarilho da noite
caça histórias, abrigo, comida
O gato que enxerga além
pára diante do invisível
O gato que nunca morre
se torna lenda, se torna incrível
O gato que nunca dorme
vive a vida como ninguém
O gato, negro gato
no meio do mato
O gato que enxerga além
Postado por
Daniel
0
comentários
Soneto da avessa loucura
Sob os uivos dos cães insômines
e a névoa nos limites do campo;
sob o silêncio dos que dormem, sob o pranto
escuro dos gatos e dos homens;
sob a pouca luz na varanda
e o zunido faminto dos mosquitos;
sob o peito e o coração aflitos;
sob a dúvida de quem realmente manda;
sob a saudade infundável e verdadeira
escrevo versos e uma paixão derradeira
de maneira tola, porém indubitável;
E contigo na cabeça, de forma irreparável
caio na avessa loucura ligeira
de amar-te em versos nessa distância insuportável.
Postado por
Daniel
1 comentários
05 outubro 2006
Escapa uma lágrima
Eu to apaixonado
como um menino calado
que guarda amor no peito
e meio que sem jeito
quer dias ao teu lado.
E nao precisa muito
pra perceber essa paixão.
É na distância e na vontade
que a tal da felicidade
deixa o menino bobo no chão.
Postado por
Daniel
2
comentários
24 setembro 2006
Glutão
Retrátil
Refráctil
Imagem no azulejo
Viagem, bocejo
Pensamento frágil
Vulto no espelho
Pedaços
Adultos, conselhos
Abraços
Saída de emergência
Espera longa
Vida de urgências
Vento no rosto
Corpo aberto
Acabou o gosto
Postado por
Daniel
0
comentários
14 setembro 2006
Soneto da Deseperança (Vinícius de Moraes)
De não poder viver sua esperança
Transformou-a em estátua e deu-lhe um nicho
Secreto, onde ao sabor do seu capricho
Fugisse a vê-la como uma criança.
Tão cauteloso fez-se em seus cuidados
De não mostrá-la ao mundo, que a queria
Que por zelo demais, ficaram um dia
Irremediavelmente separados.
Mas eram tais os seus ciúmes dela
Tão grande a dor de não poder vivê-la,
Que em desespero, resolveu-se: ? Mato-a!
E foi assim que triste como um bicho
Uma noite subiu até o nicho
E abriu o coração diante da estátua.
Postado por
Daniel
0
comentários
31 agosto 2006
A Queda
Cada dia é diferente.
Quedinha, queda ou quedona?
É difícil saber o que se sente
se o coração pára
quando chegas em minha frente.
Sei que o que quero é tê-la
imediatamente.
Postado por
Daniel
0
comentários
30 agosto 2006
Torto e sem final
É, eu sei
mas não sei se tinha coragem de saber.
Precisei da coragem alheia pra isso.
Engraçado...
Na verdade eu não entendia muita coisa:
a similaridade, a busca, o desejo.
Filhas... Gaia...
Já pensou se for mesmo minha prima?
Engraçado!
O que eu sempre soube é essa estranheza toda
que é muito boa, sem dúvida,
mas essa estranheza da rapidez que assusta
e que conforta ao mesmo tempo.
Mas se se pensar direito, nem é tão rápido assim...
Engraçado...
E em meio a poemas e confissões
(ou poemas confessionais com esse)
eu vou misturando apreensão, paixão e desejo
e vou caindo de bruços na emoção
e me surpreendo; demais as vezes.
Engraçado isso...
E é indescrítivel a sensação de descobrir
que na negação reside a confissão,
a admissão de um bom perigo.
Não se pode muita coisa,
mas não se controla o querer.
Engraçado, né?
Vou deixar esse poema assim:
torto e sem final,
até por que sabe-se lá o que virá depois
e isso também é engraçado...
Postado por
Daniel
0
comentários
Soneto esparso
O que eu quero nao posso ter
O que eu tenho nao posso ver
O que eu vejo nao posso crer
O que eu creio nao posso querer
O que eu canto nao posso tocar
O que eu toco nao posso escutar
O que eu escuto nao posso falar
O que eu falo nao posso cantar
Quero cantar sorrindo
Quero cair tentando
Quero subir caindo
Quero chegar calando
Quero abrir fechando
Quero fechar abrindo
Postado por
Daniel
0
comentários
24 agosto 2006
Amor
Qual o maior amor do mundo?
Qual neste mundo é o maior?
O de mãe? O de amigo? O de amante?
O amor desconhecido? O ultrajante?
O da dama pelo vagabundo?
Qual neste mundo é o melhor amor?
Aquele que abraça e segura e aperta?
Aquele que de longe compreende e satisfaz?
O inóquo? O turbulento?
O dolorido ou o que traz paz?
Qual é o meu amor?
É o amor clássico ou o pós-moderno?
É o amor Romântico? Parnasiano?
Crítico? O amor subalterno?
Meu amor é porcelana ou pano?
Onde o amor começa? Onde acaba?
Onde perdura o sentimento?
Onde circula tamanha loucura?
Não sei responder nada
Sei que o amor é eterno e sofrimento
E apesar disso há ainda quem o procura.
Postado por
Daniel
4
comentários
O próximo passo
A felicidade súbita
A incerteza retilínea
A alegria momentânea
O paradoxo da dúvida
O espanto ao quadrado
A surpresa cúbica
A espera estúpida
O momento esperado?
A inconstância de viver
O desejo de um abraço
O não saber e o saber
A magnitude do espaço
A hesitação do outro querer
O próximo passo...
Postado por
Daniel
0
comentários
22 agosto 2006
Daniel boboca
Quando eu fico triste, dói.
Não só aquela dor sentimental
ofegante, misteriosa, inexplicável.
É dor física mesmo; no corpo.
Falta ar, as pernas ficam formigantes,
a cabeça explode e o coração palpita.
É inegável que dor assim é horrível,
mas a dor ofegante, misteriosa, inexplicável
é milhões de vezes pior que qualquer outra.
Não há aspirina pra ela.
Hoje estou triste.
Hoje doem meu corpo e meu coração.
Uma dor que parece ser interminável
que anda de braços dados com a angústia e com a ansiedade.
Eu gostaria hoje (ainda que fosse só hoje)
que alguém me dissese coisas bonitas,
que alguém me dedicasse versos,
sei lá,
que eu fosse a preocupação de alguém ao menos por um segundo.
Eu apreciaria muito um abraço;
não aquele de tapinhas nas costas,
mas o que agarra e só solta quando há a certeza de que tudo está bem.
Um carinho, talvez,
um afago na cabeça ou na nuca.
E se eu não tivesse 25 anos
me recolheria como feto no colo de mamãe
ou alguém que se despusesse a sê-la.
O que verdadeiramente seria bom,
talvez maravilhoso,
seria parar de pensar em mim
e nesta minha vida embrulhada;
seria parar de enxergar
esta torrente de inspirações sentimentais.
Hoje seria bom ser cego.
Só hoje.
Cego e surdo, só.
Porque a voz eu ainda quero
pra gritar, chorar e preservar os outros.
Hoje estou triste.
Vamos ver o que será de mim amanhã.
Postado por
Daniel
1 comentários
07 agosto 2006
Irene
Quando tua voz doce e infantil cantou
a casa linda e engraçada de Vinícius
o mundo, como em fogos de artifícios
ao redor da tua alegria, parou.
E quando a luz do sol se apagou
e a noite, de mãos com a lua, caiu,
brincando, teu rosto meigo sorriu
e em festa, o recinto iluminou.
Como pode em tão pouca idade,
tanta sabedoria e inocência
e energia na ingenuidade
conquistar a minha vã carência?
Queria minha filha com a tua felicidade;
linda, doce e criança como que sem urgência.
Postado por
Daniel
0
comentários
27 julho 2006
O primeiro beijo
Pedrinho gostava de Giulia
e Giulia gostava de Pedrinho.
Pedrinho jogava futebol
e fazia gols e dribles fantásticos
e tentava impressionar seu amor.
Giulia suspirava de paixão
e torcia por Pedrinho campeão.
Pedro mandava cartinhas,
arrancava margaridas ao chão
e comprava maçãs-do-amor,
tudo para Giulia.
E ela, revirando os olhos pra cima,
com as mãos no peito,
suspirava de paixão.
Um dia, chegou Paulinha,
nova vizinha da rua.
E Pedrinho esqueceu Giulia,
e agora fazia gols para a nova vizinha.
Mas Paulinha não suspirava como Giulia
e não virava os olhos,
nem levava a mão ao peito.
E Pedrinho, triste e arrependido,
chorando, com uma margarida na mão,
foi até a casa de Giulia,
implorar a ela o seu perdão.
E viu as duas se beijando,
abraçadas, como um só corpo.
Este foi o primeiro beijo de Giulia.
Postado por
Daniel
0
comentários
O Trenzinho
Lá vai o trenzinho
partindo de novo.
Lá vai o trenzinho
pertinho do povo.
Lá vai o trenzinho
bufando fumaça,
fazendo barulho
por onde ele passa.
Lá vai o trenzinho
pra algum lugar.
Lá vai o trenzinho.
Não quero parar!
Lá vai o trenzinho
em lápis pastel
todo colorido
pintado em papel.
Postado por
Daniel
1 comentários
O poeta em mim
O que faz de mim poeta?
É este campo de sofreguidão;
a angústia de viver sem chão;
o coração e o corpo na sarjeta?
É o desejo de um amor que arremeta,
que expurgue de mim essa aflição,
que em conluio com minha solidão
atinja em mim a mesma seta.
Escrevo versos sem nada saber
como quem, em si, tenta ver
no puro sofrimento, razão.
É a vontade de amar e crer,
e o desespero e a paciência de viver
que fazem de mim poeta por intuição.
Postado por
Daniel
0
comentários
24 julho 2006
Psicografia
da claridade do céu.
Não, eu não acredito na força da repressão
Não consigo imaginar que possa ser boa
E ela passa longe dos meus objetivos de libertar
Por tanto tempo eu estive com você a viajar
Conhecemos lugares diferentes
Comigo você era feliz
E eu eu por minha vez, segura e infantil
Tudo em seu lugar, como deveria ser
Para não cortar-te as asas
Deixe que eu te leve
Não corte-me o direito de dar meus primeiros passos
Permita-me os gritos
E assim suas risadas, a minha voz
A sua voz!
Sim, admita que eu te liberto quando me aproximo
É ao acaso justo se privar de sonhar?
E certo me fazer calar?
Cala-te quando te passar pela cabeça se afastar
De mim, que sou parte tua
De ti, que já me compõe
Faz com que a saudade que sentes de mim te mova
Corra ao espelho e me enxerga
Pois sou você, com algumas correções
Se estou mais próxima do bem
Como posso fazer-te mal?
Se sou pequena pra caber em teus braços
Deixe-me crescer em sonhos
Pai leve-me no colo quando o sono me levar
Conte-me uma história quando ele me faltar
Abraça-me bem forte no dia que eu chorar
Enxugarei suas lágrimas
Sim, sei que vais chorar
Olha só pai, é filho meu correndo e não eu
Ei, presta atenção...aqui!
Peguei você de novo pensando no passado
E as lágrimas que caem nessa terra
Fazem brotar o nosso ipê
Lembra que plantamos no jardim?
Claro que lembra, você mesmo me deu
Nesse dia eu vi que perdi um feijãozinho
E em seu lugar fizemos - juntos
Brotar a árvore das nossas vidas
Caí e levantei
Porque confiei em você, no seu olhar
Só te peço hoje que confie em mim também
Hei de curar-te dessa dor e pôr amor em seu lugar.
*********************************************
Escrito por Noemi, presenteado a mim.
A ela, meus agradecimentos...
Postado por
Daniel
0
comentários
18 julho 2006
A voz de Maria Luiza
A voz de Maria Luiza ecoa silenciosamente na minha cabeça
e no coração ressoam os gritos desesperados de aflição.
A voz de Maria Luiza ressoa em meu peito durante o sono
e me aperta e me trucida em dor enquanto acordo
E ouço também ruídos e estampidos ensurdecedores
e canto tentando aouvir minha própria voz.
Mas a voz de Maria Luiza ainda está perto demais,
e alta demais, e calorosa demais.
O que eu faço com Maria Luiza?
Calo sua boca com um afago e um beijo?
Ou calo sua boca tapando meus ouvidos?
Postado por
Daniel
0
comentários
13 julho 2006
Paráfrase de uma criança inexistente
Ontem te vi em outra
Te vi, mas não te reconheci.
Em outra casa te vi nascer.
Te vi nos teus primeiros passos
e chorei.
Te vi cantar,
brinquei no jardim contigo,
te dei a mão e te puxei ao colo
e chorei.
Não.
Eu não te vi.
Eu te senti, na semelhança do nome
e na fulgidez da idade.
Te senti na inocência dos olhos
e no riso e no choro desconjuntados.
Não.
Não era tu.
Era meu desejo, simples desejo,
de te ter aqui do meu lado;
de poder ter tudo o que vi;
de poder te ter em meus braços
como nos vídeos que vi ontem.
Postado por
Daniel
0
comentários
Consolação
Ela que pinto,
Vazio que sinto.
Palavra que vai,
Frio que me cai.
Confusão chega
em mim se aconchega.
Sofrimento nela,
Tentação na janela.
Esquece tudo?
Eu sei, me iludo.
Eu vou me encontrar
em outro lugar
e enquanto esse risco,
me consolo, me rabisco.
Postado por
Daniel
0
comentários
11 julho 2006
Tristes Flores
Tristes flores em um jardim deserto.
De manhã, uma procura sedenta;
de noite, com seus botões abertos.
Tristes flores de beleza murcha,
de pétalas podres que caem jovens,
de pólen amargo que ninguém degusta.
Tristes flores regadas a açoite,
maltratadas pela inveja da Rosa,
ainda que simples Damas-da-Meia-Noite.
Tristes flores de caule espinhento.
Da Rosa têm somente o espinho,
mas não o desejo do dedo sangrento.
Tristes flores de perfume inodoro.
Te ver sozinhas e rejeitadas no chão
me aperta o peito e, assim, choro.
Postado por
Daniel
0
comentários
10 julho 2006
Poemas
Eu não decoro poemas.
Poemas não são para serem decorados.
Mas há gente que os decora
para recitá-los a qualquer hora.
Como tratam os poemas...
Como um mendigo vagabundo e desleixado.
Eu não choro com poemas,
mas já chorei com alguns.
Lágrimas de sangue e de tinta
manchadas no papel de quem pinta
agruras, desgostos e problemas.
Meu choro de letras é incomum.
Eu não sinto poemas,
tão pouco alguma misteriosa intenção.
Eu sinto a palavra convertida em dor.
Sinto a felicidade, sinto a angústia do autor.
Poemas não são sentimentos, são dilemas.
Mas quem sou eu pra dizer o que são?
Eu escrevo poemas.
Eu me transformo em uma palavra vã.
Eu me decoro, eu me pinto,
eu me choro e eu me sinto.
Escrevo poemas como quem blasfema,
e ainda assim escrevo-os com afã.
Postado por
Daniel
1 comentários
A Nuvem
A nuvem paira lá no morro
A nuvem branca, com certeza,
me faz parar na varanda o tempo.
A nuvem se esparsa ao vento
e acima dela somente a lua;
e atrás da nuvem, o vulto imponente.
E vagarosamente a nuvem caminha,
a nuvem fina e inocente,
no escuro anda despercebida.
A nuvem pequena, desgarrada,
perdida em céu limpo e negro.
A nuvem é o olhar na madrugada.
Nuvem fraca, que não se aguenta.
Nuvem que agora é névoa
e que se espalha no vazio imundo.
Oh nuvem! traz pro mundo
tuas gotas de chuva fria
e não esta lágrima de sangue
na qual este mundo imundo se sustenta.
Postado por
Daniel
0
comentários
Sonata de uma madrugada
Passa a chuva
e com ela passará também a tempestade
e o vento.
E as estrelas e a lua poderão novamente ser vistas.
Mas ainda sim é madrugada.
Interminável madrugada.
É melhor esperar o sono deitado.
Postado por
Daniel
0
comentários
O Cachorro
O cachorro que vagueia vagabundo
entre pontapés, poças e carrapatos,
que na rua encontra seu próprio mundo;
O cachorro que não escolheu a solidão;
que recebe o asco e o nojo de quem passa;
que é mendigo de carinho e atenção;
O cachorro que é o melhor amigo do homem -
não o poodle, da ração importada,
e sim o vira-latas, de quem nem come;
O cachorro de quem o mundo fez miséria
invisível sempre, nascido sabe-se onde...
que encara a vida como uma pilhéria;
É o mesmo cachorro que dá nome
Ao que chamamos de "mundo cão".
Postado por
Daniel
0
comentários
As quatro paredes do meu quarto
No meu quarto há quatro paredes
cada qual com seu dever.
Uma abre-se, mutilada,
para exibição do mundo que fascina.
E mesmo com a linda alvorada
teimo, com a cortina, esconder vista tão bela.
Esta é a parede da janela.
Outra, ao contrário da primeira,
exibe a beleza que o homem criou.
E meio que calada e sorrateira,
mostra arte, memórias, histórias em retratos.
Esta é a parede dos quadros.
A outra sustenta conhecimento.
É como um canto educativo.
É onde vou a todo momento
procurar um acalento criativo.
Esta é a parede dos livros.
A última é a mais essencial.
É a parede que mais me importa.
Afinal, de que adianta janela ou quadros
ou livros numa estante torta,
sem, no quarto, a parede da porta?
(ainda sujeito a modificações)
Postado por
Daniel
1 comentários
04 julho 2006
Head Shot
Se eu pudesse apresentava vocês dois,
numa mesa de bar em Ipanema,
bem de frente pro mar.
Pediríamos três chopps
(ou qualquer outra coisa que valha).
Os dois com uma estranheza no rosto;
os dois com o medo nos olhos;
os dois com o coração a mil.
Um diria que é pela causa;
o outro diria: "Que causa?"
Um diria que a morte redime;
o outro teria medo dela.
Um diria: "Vá embora!";
o outro diria: "Quero ir embora!".
Um diria: "Viva a liberdade!";
o outro também.
E assim o papo se tornaria discussão,
e a discussão, briga.
E eu, até então calado, diria:
"Olhem para Deus!", e apontaria o mar de Ipanema.
E quiçá os dois se calariam e,
pela primeira vez pudessem concordar
em calar a boca, abrir os braços,
e juntos sentir as mesmas lágrimas de Vinícius.
Postado por
Daniel
0
comentários
26 junho 2006
Tentativa de um conforto
Neste mundo de dor e caos
O teu escudo é inútil e ruim.
Neste momento que te sentes mal
O teu esconderijo não é o fim.
É tua beleza que aparece,
Mais que tudo que tentas encobrir
Instigando teu coração tão grande;
Mais que tudo que pensas querer
Inventando outra, enquanto desfaleces.
Postado por
Daniel
0
comentários
23 junho 2006
Canção da covardia
E assim as coisas vão e vêm,
no balanço do tempo,
no vagar do trem...
Só não esqueça de mim,
nem agora ou nunca
porque te quero bem.
Se é o começo ou o fim
importa agora o coração
que de sangue e de paixão
pensa mais além.
Imagina o penhasco,
grande e perigoso,
que você pode cair também...
Deixa minha dor pra mim.
Poupo teu peito. Assim,
não corre o risco sujo
de me ter sem ter ninguém.
Postado por
Daniel
0
comentários
Apenas mais uma sobre a vida
É incrível a quantidade de pessoas que reclamam da vida
Eu mesmo, as vezes, me torno uma delas
mas acho que não tenho esse direito.
E aí, poderia justificar essa premissa com todos aqueles clichês famosos
do tipo: "a vida é bela" e tal.
Mas não.
Não tenho esse direito porque simplesmente a vida não acabou.
E quando acabar, não vou ter voz pra reclamar.
A não ser que venha incorporar em algum médium-psicógrafo.
Eu não posso reclamar de algo que ainda está em curso,
que ainda me apresenta possibilidades infinitas
e que dependem muito mais de mim do que de qualquer outro alguém.
Seria reclamar de mim
e me colocar como uma pessoa que não a aproveita.
Prefiro vivê-la.
É melhor, mais gostoso, mais promissor e mais inteligente.
E prefiro me espelhar nos que reclamam
e apostar que quando eles se forem de vez
vão realizar que não fizeram outra coisa na vida
a não ser torná-la uma grande assembléia de condomínios.
Postado por
Daniel
0
comentários
Vai te catar, sujeito...
Olha só aquele sujeito!
Cospe no chão como quem fala
que o mundo cabe dentro da sala
e, cheio de si, bate no peito.
- Vai te catar, sujeito!
Olha ele dizendo besteira.
Falando alto pra tentar se impor,
distorcendo a idéia simples do amor,
arauto tolo de uma burrice ligeira.
- Vai te catar, sujeito!
Olha ele apontando o dedo
e gritando ressentimentos vis
e depois de uma colocação infeliz
mantendo os olhos escondidos de medo.
- Vai te catar, sujeito!
Olha agora o mesmo sujeito
com a cara esparramada no chão
descobrindo (quiçá) seu personagem vão
despedaçado em cacos espalhados sem jeito.
- Vai te catar, sujeito...
Postado por
Daniel
0
comentários
Recado para Baiano
Agora te entendo, amigo.
E contigo exaspero o bocejo
ainda como que um gracejo,
e também como um sarcasmo,
acordado, deseperado contigo
eu permaneço insômine e pasmo.
Como pode a natureza vencer
a própria natureza, meu Deus?!
E tirar de dentro de mim o apogeu
de um simples dia de cansaço?
Já sei o que pode ser.
Ela fez de mim palhaço!
E agora nada me resta a esperar
este sono torpe se comover
e reassumir aquilo que é seu dever:
desmaiar meu corpo momentaneamente.
E pra ti, amigo, tenho apenas para ofertar
pena e compreensão, infelizmente.
Postado por
Daniel
2
comentários
De pé
Te perdi.
E agora com a vista embaçada
rezo pra te ter de volta.
Nessa solitária madrugada
me perdendo em vãs conversas e devaneios de pessoas distantes de mim,
penso em ti como um desejo eminente.
E bebo mais um gole na esperança de me possuir
com tua fúria cansada
e com o teu entorpecer de mais cedo.
Como faço pra te ter novamente?
Essa impotência desesperada
e meu silêncio inquietante...
Eu quero deitar de novo contigo
e viver a fantasia dos sonolentos.
Mas me abandonaste por ora.
Meu consolo é saber que vais voltar;
que irás me devolver a calma
e me fechar os olhos pra cair de novo em ti.
Que podes fugir por agora
mas voltarás, sim. Voltarás
com força maior ainda.
E então poderei dormir tranquilo.
Postado por
Daniel
0
comentários
22 junho 2006
Não é poema, é sentimento
Eu quero sofrer por amor
antes que sofrer pela morte.
Quero acreditar nessa dor.
Quero apostar na sorte
de reencontrar aquele pudor.
Quero o grito; quero no peito o corte.
Quero enxergar nos olhos a cor
dos olhos de alguem forte.
Quero um amor-adagio;
quero um colo bom;
quero, talvez, um naufrágio;
quero o tom e o semi-tom;
quero o amor como um plágio;
quero o silêncio e quero o som.
Postado por
Daniel
0
comentários
16 junho 2006
Soneto do sofrimento falso
De tão distante o coração chora
e verte lágrimas de sangue.
E de saudades vividas do agora
vazio, de ti ele se exangue.
Ornado em dor e em pranto vil,
caído em chão de terra imunda,
no meu peito pobre e juvenil
só o amor sofrido abunda.
Tenra tristeza calada e inerte...
Desta lágrima que o coração verte,
chegada ao chão, e agora incolor,
brota o caule que me reverte
e a alegria que por ora perverte
o coração morto e vazio de dor.
Postado por
Daniel
0
comentários
Cochilo na Rede
Sabe quando um sonho vem
E pede ao sono que o traga;
e quando o peito o sono afaga
deixando saudades do que não se tem?
Pois bem, os sons de longe chamam
Trazem imagens, risos, simpatias
e cantam belas e simples melodias
e poesias lindas ao sonolento, declamam.
Acalmam a alma, adormecem-no de vida
Absorto em fantasia, eis que dorme enfim
Dos risos desabrocham gargalhadas
Na tez petrificada; na imagem por ele erguida
Reside, não a certeza de um fim
E sim, a dúvida de rumar a qual estrada.
*************************
Poesia minha e de Noemi
Feita em conjunto.
Postado por
Daniel
0
comentários
04 junho 2006
O mito da (minha) caverna
Neste meu tempo de reclusão
de mim mesmo a mim mesmo
luto por descobrir caminhos que me levem
a um futuro próximo e confortante.
Neste ostracismo ao qual me coloco
para me distanciar deste mundo vicioso
procuro uma procura que me coloque
longe de todos e perto de mim;
forte pra todos e fraco pra mim.
Sim, porque a fraqueza é boa
quando se é de si mesmo.
É autoconhecimento gratuito,
espécie de post-scriptum de uma alma perdida.
Neste meu tempo de perguntas,
neste meu filme sem fim,
nesta minha música sem letras
espero nada além de um afeto.
Não de transeundes ou desconhecidos,
muito menos de pessoas próximas.
Espero um carinho meu,
um simples balançar de mão
que não seja mais um adeus qualquer.
Se eu fosse a mão
afagaria o chão e não o vento.
Postado por
Daniel
1 comentários
30 maio 2006
Carta de um pai aflito
Minha amada e querida filha,
esta que ao mundo não veio,
e que por puro e cruel receio
fez da vida escrava da morte.
Que fez tu a tua sorte?
Teu espírito agora torto;
meu olhar em ti, absorto
em mar de lágrimas, sem nenhuma ilha.
A vontade de ti em meus braços,
agora transtornada em saudade,
impede teu pai da realidade
de acreditar no sangue a tua volta.
E por mais que minha ingrata revolta
contra quem é a verdadeira culpada
pessoa por mim outrora amada
transforme meu coração em pedaços,
saber que foste de uma vez
e que não a verei correr pelo jardim;
ver o início perder para o fim
faz de mim homem morto e incompleto.
E agora, o sonho de ti, como feto
recém saída do ventre mágico
confunde-se com teu corpo estático
que vejo na fronte de minha tez.
E esse sangue que corre de teus olhos,
os mesmos olhos grandes e castanhos,
que um dia fez de Deus um estranho
ao, inerte no paraíso, ser poetisa
me trazem tristeza e ódio ao peito
que um dia abrigou tenro amor.
Quero dizer-te com lágrimas e dor:
Adeus, minha filha, Maria Luiza.
Postado por
Daniel
0
comentários
28 maio 2006
A Morte de Maria Luiza
Maria Luiza, na beira de um penhasco, paralisada e atônita, olha pra baixo e chora. Não consegue acreditar. Todo o tempo que esperara ali, trancada em um vasto mundo de solidão fora em vão. "Como pôde ela? Como pôde fazer isso?", pensou. E agora, paralisada e atônita na beira de um penhasco, Maria Luiza chora.
E olha pra baixo, com desejos de tristeza. O que fazer agora? E ela se perde em sentimentos aflitos e agonizantes. Desesperada, a solução chega em forma de asas invisíveis. E, 150 metros depois, o corpo de Maria Luiza agoniza em um chão enlameado e sujo. E sua respiração, ofegante e desritmada, sinaliza a ela mesma a chegada do fim.
Apenas uma criança. Apenas uma vontade. Decepção.
Maria Luiza jaz, torta e ensanguentada, na terra em que tanto quis viver.
Adeus Maria Luiza.
Postado por
Daniel
1 comentários
Sem Nome II
E eu que acreditava
Que acreditei em tanta coisa...
Idiota é quem acredita
Idiota é quem acredita em amor e compra perfume barato
Em ambos a essência se esvai quando menos se espera.
Postado por
Daniel
0
comentários
Surpresa
Tolo é quem acredita em verdade.
Tolo é quem confia.
Tolo é quem preza a sinceridade.
Não se esqueça:
Homo Sapiens não são nada além de bichos
e os bichos são mais humanos que nós.
Linhas tortas, eu sei.
Não se preocupe...
Tolo é quem acredita em sentido também.
Postado por
Daniel
1 comentários
25 maio 2006
O cigarro
Eu nao sei porque o cigarro me inspira.
Essa nuvem de idéias esparsas que saem da boca
de repente se alinham e formam frases esparsas
que se alinham e formam versos esparsos
e sai um poema (meu).
Essa transcendencia do expelir, do expulsar...
Essa burrice do engolir...
Botar pra dentro o trauma, o desejo...
Pensar em Freud ao ver a tenra fumaça...
O cigarro me inspira.
Até quando?
Se eu estava fumando quando tortuei nessas linhas?
Me responda você...
Postado por
Daniel
0
comentários
21 maio 2006
Oração
Se o caos me caísse das mãos
e a ilusão me deixasse desnudo de horizonte;
Se a mentira abandonasse meus ouvidos
e se a tristeza desistisse de mim,
eu nada seria.
Se a melancolia pendesse de meus olhos
e a carne voltasse a ser sangue;
se o rumo novamente fosse destino
e se o amor não mais fosse desafeto,
eu nada seria.
É como bússola sem norte;
como guerra sem armas;
como vida sem morte;
como tentar sem perigo.
Se eu fosse em felicidade
Se a perfeição fosse em mim
Se o impossível existisse
Se a alma se acalmasse
Seria pobre
Mendigo em terreno escuro
Vagabundo perambulante
Peregrino da incerteza.
É preciso o mal, a dor
É preciso ter na mira
para cantar ao mundo
a minha ínfima e normal existência.
Postado por
Daniel
1 comentários
07 maio 2006
Um dia
Radiografia será pintura
Exame será poesia
Bula será literatura
Cura será magia
Tempo será distância
Saudade será nostalgia
Conforto será ganância
História será elegia
Se a vida passa num segundo
- Este que surpreende o incauto
E devassa a mente em desaviso -
Enxerga de longe o mundo
E percebe, lá do alto, que
Existir é ser, em eterno paraíso
Postado por
Daniel
0
comentários
27 abril 2006
Os outros
A minha vontade era escrever um verso pra cada pessoa que conheço
Gostaria de eternizar cada uma em minhas palavras
De desenhar em devaneios os meus amores, todos
Meus amigos, minha família, meus desafetos
Até os desconhecidos que clamam por uma atenção desnecessária
Afinal, todos são um caso de amor
Mas faltam palavras, falta paciência, falta tempo
Prefiro me falar, me eternizar nos outros
Me rabiscar no desprezo alheio, no carinho inesperado
Na confusão do viver-ao-lado
Prefiro me ser, me ter, me fazer em outras faces e corpos
É assim que me existo, que me sinto
É melhor amar através de sentimentos
Que tentar cunhá-los em palavras vãs e tortuosas
E que nunca conseguirão traduzir a essência
Do meu viver-amar-sofrer-viver
Postado por
Daniel
2
comentários
26 abril 2006
17
Luzes apagadas
Uma taça de vinho tremendo
Um pouquinho de solidão amiga
Um pouquinho de lembranças
Eu com um ar melancólico, borrado pela fumaça do cigarro
São só palavras, letras cintilantes
Companhia em mais uma madrugada...
Não, são também crenças
Distâncias de tempo
Dizeres não ditos
Posso? Tenho? Quero!
Vou? Não sei ainda
Escondo-me em um não-falar
Faço graça, provoco o riso
Abrevio a incerteza
Espelho de beleza
Aula de coração
Postado por
Daniel
1 comentários
24 abril 2006
A stupid poem in a stupid moment
I'm lost
I'm insane
I'm everything I always depised
So, I'm angry
And I want just to lay down
And cry my suffering
And enjoy my sadness
Leave me alone at this moment
I'm sad and I don't want anyone around
Postado por
Daniel
0
comentários
18 abril 2006
A chuva
Chuva sempre me deixa melancólico.
E, na verdade, este estado de espírito não tem sido novidade ultimamente.
Talvez porque me lembre lágrimas,
o cinza do céu enconberto,
o barulho intermitente dos telhados,
a quietude das pessoas reclusas em casa.
Talvez...
Eu sei que gosto de chuva, gosto de frio,
gosto de ficar de madrugada imaginando
as pessoas encolhidas na falsa proteção do cobertor
e de ficar na varanda olhando;
apenas olhando.
O céu azul é muito falso.
É muito alegre, é muito vivo.
Quem é assim o tempo todo?
Minha côr é cinza,
meu clima é chuva.
Prefiro me banhar na melancolia das lágrimas de chuva
que me perder no azul azul demais de um céu fantasia demais.
Postado por
Daniel
2
comentários
13 abril 2006
Confissão
Eu quero que isto me console.
Mas não sei se vai me adiantar.
Eu quero entorpecer em um sono duradouro,
hibernar em uma caverna de solidão.
Quero brincar sozinha.
Quero chorar sozinha esta dor inexplicável.
Quero fazer de mim uma garrafa no oceano,
com uma mensagem bem pequena,
que diga apenas a quem encontrá-la que eu existo.
Eu estou angustiada.
Não sei mais o que fazer.
Tudo é errado em mim;
tudo é torto em mim.
Não dá pra dormir aqui.
Não há sono que desfaleça o cansaço, porque não há cansaço.
Deixa-me brincar sozinha agora.
Vou chorar sorrindo,
afinal, sou criança.
Postado por
Daniel
0
comentários
Ode à Deusa
Eu nunca fiz um poema pra você.
Nunca escrevi melodiosamente pra ti.
Logo tu, que és a musa preferida dos poetas,
que é o início de toda a vida de um verso prematuro.
Todas as noites em mim,
às vezes invisível, outras brilhante como ouro;
mas sempre ali presente, olhando para o mundo de longe.
Um cigarro, e viajo até ti, pra te acariciar em pensamento
e te demonstrar o meu amor.
Mulher e mito, meu oceano se curva aos teus pés
e se enche de lágrimas quando o sol se vai.
É na escuridão que fazes teu mistério.
Em tua nova fase, cheia de negra luz,
que me desespero e procuro tua face.
Sozinho, tu és minha companhia na madrugada.
És minha mulher, deusa, beleza,
meus olhos no breu de minha estrada.
Sem ti, descobri, não sou ninguém.
Pra ti este poema, dedicado a uma inteira vida ao meu lado.
Pra ti esta ode; para cantar-te a companhia ocasional
que fazes a todos deste mundo.
E quem sabe este mundo possa um dia cantar
a maravilha que canto hoje:
te ter toda noite
e te ver entre o brilho celeste e a escuridão do infinito.
Postado por
Daniel
0
comentários
11 abril 2006
Hoje não estou afim de escrever
Hoje não estou afim de escrever.
Quero ler
Bandeira, Pessoa, Drummond, Vinicius...
Quero me ler, isso!, e reler minha dor
Compartilhar no espelho isso que chamam de amor.
Ô coisinha danada!
O dia que eu conseguir entendê-lo escrevo o cânone dos amantes
definitivo, verdade imortalizada por mim.
Por enquanto sou apócrifo
Por enquanto só leio.
Postado por
Daniel
0
comentários
10 abril 2006
O morador
"Aí Tinhão, tudo bem?
Esse cara vacilou
Foi assaltar meu carro
Não sabia e se ferrou!
Moro aqui há muito tempo
Sou antigo, sou da área
Mostra agora pr'esse puto
Que aqui não tem vez, canalha.
Morador é respeitado
E se não sabe, nós destrói
Quer assaltar, tirar teu pó
Vai lá em baixo e pega os playboy!"
"Pode deixar Leleco, vai.
Fé me Deus, tu é sangue bom.
Dou uma coça no moleque
Vai descendo e escuta o som."
E Leleco desce a rua
Com um sorriso de esplendor.
Regozijava-se em vingança
Aos gritos de "Pára, por favor!"
E chega em casa, beija o filho,
Senta e liga a televisão.
No jornal, violência e fome.
"O mundo está uma perdição"
Postado por
Daniel
0
comentários
Margarida
Pétalas que caem ao meu capricho
Ou ao do momento.
Frágil flor de tenra alvura.
Pétalas que se perdem ao sabor do tempo;
Caem no lixo.
Pólen de cor negra e de ternura.
Pétalas que rasgam no dente do bicho
E não perdem formosura.
Caule seco e espinhento?
Pétalas que formam no chão, a cura.
Bem-me-quer!
Felicidade que some no vento.
Postado por
Daniel
0
comentários
Insômine (culpa sua!)
Afaga o meu rosto, vai!
Deita a tua mão em minha face doída
e afaga.
Teu carinho é o meu desejo em segredo.
Deixa eu afagar teu rosto, posso?
Eu ponho meus calos em tua bochecha
e afago.
O meu carinho é um jeito de te ter em mim.
Afaga meu ego, por favor!
Escreve tuas palavras pensando em meu rosto
e afaga.
Tua letra é um véu de consolo pros meus olhos míopes.
Deixa eu afagar teu ego, posso?
Escrevo torturas e inspirações pensando em ti, meu anjo,
e afago.
Meus desejos desnudos em uma vergonha vã.
Afaga minha boca, beija?
Encosta teu desconhecido lábio no meu
e afaga.
Tua boca é fruto do doce sangue de teu sofrimento.
Deixa eu afagar tua boca, posso?
Dizer com a língua o que digo à pena
e afago.
Tecer os anos de diferença em saliva sem voz.
Apaga o meu desejo, agora!
Que o medo e a similaridade me impedem de te avançar.
e apaga.
Quero teu sofrimento; sou canibal e necrófilo.
Deixa eu apagar este poema, posso?!
Que teu branco rosto e tua Moscou são intrigantes,
e apago.
Meu secreto desejo é afagar-te toda, nada mais.
Postado por
Daniel
0
comentários
Lágrimas vermelhas
Gosto de sangue.
É vida e morte ao mesmo tempo,
é inicio e fim.
Fale!
Cuspa o sangue que ainda tem na boca.
Rasgue o peito para cair a dor que te consome.
Se essa veia que te entope os olhos nao te faz cair ao chão
cospe esse sangue;
finca as unhas no peito e rasga as vestes de pele,
e chora as tuas lágrimas vermelhas.
Escreve em sangue as tuas palavras doces
e dá adeus (arrivedérci) à flor do mal-me-quer.
Postado por
Daniel
0
comentários
09 abril 2006
Paixão por letras
Estranho isso... Paixão por letras...
É violeta a palavra que vem.
Distante paixão, escrita além
Do que possa explicar a caneta.
Escrevo vontades, alguém.
Tiro o lápis e o papel da gaveta.
Espero que o sorriso me submeta.
Paixão por letras... Amém!
Lendo o texto que me fala,
Meu eu em outra pessoa,
Escuto a voz que não se cala.
E vendo o rosto, beleza que voa,
A imaginação resvala,
E a paixão ressoa.
Postado por
Daniel
0
comentários
03 abril 2006
Dali de cima
Entre os galhos entrelaçados
Prefiro a morte a solidão.
Neste tronco, até o chão,
Sempre os nomes mal talhados.
Daqui de cima avisto a terra
Microscopicamente viva.
Invejo a folha e a formiga.
Mordo o fruto e o gosto se encerra.
Pendurado, perco o tempo.
Nas folhas, ouço o barulho do vento.
Esqueço a vida, vagueio em Deus.
Dessa semente que sobra na boca
Morta, sem vida, de matéria oca,
Nasce um (não tão simples) adeus.
Postado por
Daniel
0
comentários
31 março 2006
Vendaval
Eu não respeito tempo ou lugar.
Não respeito minhas companhias,
nem mesmo minha condição humana.
Só respeito a elas, inavisadas, replicantes.
Não porque este título de falso poeta me sobreponha sobre algo,
(se é que isto é um título),
muito menos por desgosto da vida, incontestável prazer,
mas porque elas me conduzem; hoje mais ninguém.
Elas sustentam minhas bambas pernas.
Elas cuidam de mim.
Hoje, ninguém mais.
A elas primeiro meu respeito!
Onde for, quando for, com quem for...
Que venham! Venham mostrar o rosto outrora escondido.
Venham assassinar o anonimato das entranhas do ser.
Cantem o louvor de ouvir o som cacofônico do vagabundo.
Eu não respeito nada nem ninguém.
Sou apenas complacente e subalterno.
Não extinguo loucuras, só porque são loucuras
e não recrimino a sua eterna infância.
Eu deixo-as fluir, como o imperioso vendaval
que chega manso e só se faz visível naquilo que toca.
Postado por
Daniel
0
comentários
Meu mistério dos dias de hoje
Onde está ele,
agora, fora da tela;
figura sem rosto,
de costas pra janela
do mundo; oposto
ao que hoje é real?
Onde está o arauto
de sua própria morte;
beato da tradição errática;
descobridor incólume de sua sorte?
Ilusão ou história fantástica?
Sucessão ou final?
Onde estão os olhos
cegos de si mesmos,
impotentes de ver à frente,
guiando o futuro a esmo,
relutantes em usar lentes;
estes olhos de olhar venal?
Onde está o Homem,
extraviado, num limbo disperso;
esquecido no desenho da criança;
outrora cantado em prosa e verso,
agora sem cor ou esperança;
com cheiro de terra e cal?
Postado por
Daniel
0
comentários
26 março 2006
Um cão que fala (e responde)
Desce uma lágrima,
não perdida,
com destino certo.
Ela desce, passa pelo rosto.
Com a face enrijecida
pelos falsetes do tempo,
a lágrima rega a pele
e trás um sorriso paradoxal.
Ela desce,
e vai pelo pescoço,
trás um novo ar
abandonando os soluços,
e trazendo alívio
pro asmático respirar.
E ela desce,
a lágrima continua a descer
até chegar ao peito.
Rega o coração.
Este coração quase derrotado,
sujeito a variações climáticas,
recebe a lágrima, não amarga;
não desventurada; não infeliz.
Aleluia!
A lágrima é de amizade,
este amor mais amor que qualquer outro,
este inexplicável bem-estar.
A lágrima rega.
Rega um deserto promissor.
Um deserto com um oásis,
de amigos, de pessoas minhas.
*************************************
Obrigado pelo poema.
Tocante, comovente e muito EU.
Sua amizade é valiosa, saiba que este seu sentimento é muito recíproco.
Um abraço, meu querido amigo
Postado por
Daniel
1 comentários
A Bertold Schmidt, antes que aconteça o pior
Desespero.
Cai de joelhos e pede.
Não consegue a solidão.
A procura agora é sua.
Não sabe tocar a música.
Perde o senso de direção.
Verdade? Desespero.
Vento em um abismo de erros.
Ora o pranto que chega,
Ora o sorriso que falseia.
Coração batendo. Desespero.
Enterra vivos a bandeira e o galo.
Desgaste e desprezo juntos.
Uivos de tristeza pairam.
É o fim de tudo? É o começo?
Sabe-se lá! Desespero.
Caminha tortuosamente na estrada.
Mistérios de uma mente, vida.
Que é isso que realiza?
Desepero é o que é.
Postado por
Daniel
0
comentários
23 março 2006
Pés de barro
Te forjei em pés de barro
e em pesado bronze no teu corpo.
Li estórias pra te inventar
e te criei em mistério insolúvel.
Te matei com água e sal.
Te pari com dor.
Te vi e não te vi.
Te menti pra mim mesmo
e acreditei com sofreguidão.
Te colori em preto e branco.
Te rasguei em pedaços meus.
Te bebi e vomitei;
caí e ainda não levantei.
E agora te expurgo em canções;
expulso os males que me deixastes;
reinvento meu espelho;
sonho novos pesadelos.
Agora viajo pra perto de mim;
crio frases com sentido mínimo.
Me engano e me reengano
em uma fantasia que visto por gosto.
Larga minha mão, sai.
Tira as pedras do meu caminho.
Limpa o lodo que me reveste os olhos.
Vai, que vou atrás. Não olhe.
Vou tomar o caminho incerto.
Vou beber do córrego.
Vou, e não sei se volto.
Postado por
Daniel
0
comentários
22 março 2006
Canção para Daniel
Se eu pudesse sentar com Daniel
em torno de uma mesa de bar,
dois copos de cerveja a nossa frente,
uma porção de torresmo para beliscar;
milhares de dúvidas latentes...
O que será que primeiramente
poderia eu, para ele, perguntar?
Perguntaria como anda a vida.
"Mal", diria ele a mim;
"Anda meu peito cheio de amargura.
Esta tristeza, será, não tem fim?"
Diria então: "Acalme-se amigo.
Estive e sempre estarei contigo
Mude os olhos, não enxergue assim"
Ele então rebateria seco:
"Caro desconhecido, de tudo nesta vida tentei.
Tudo que ao meu alcance estava, fiz.
Não mais aguento estas desventuras, cansei."
"Querido amigo, por favor, não desanime.
Na vida a gente sofre e depois se redime.
Falo por experiência, coisas que passei."
Então a lágrima escorreria dos olhos
De um Daniel triste e ressentido,
pedindo desesperadamente por remédio
que cure, de uma vez, coração partido.
"Tal remédio, amigo, no mundo não há;
o importante é viver a vida, quiçá,
Sem por nada ter se arrependido."
"Aprecio suas palavras desconhecido
e certamente já me sinto melhor.
Mais um copo de cerveja, somente,
pra deixar passar, na marra, o pior."
E então, com a voz tremida
os olhos cerrados, a cabeça caída,
desataria em lágrimas, misturadas ao suor.
"Entenda isso", desolado, eu diria,
"para o amor não existe cura.
Terreno fértil e espinhoso
é sempre, sempre fonte de amargura.
Como tocar uma flor sem murchá-la?
Como prender a voz que não se cala?
Amor, amigo, é dor e é ternura.
Sempre estive contigo, amigo;
e fique certo, sempre hei de estar.
Não me conhece de face ou nome,
mas ao teu lado estou pra te acompanhar.
Sempre me preocupei em te proteger.
Não me conhece; é meu reflexo que te vê.
Me escuta amigo, deixa a vida te levar."
Então me diria: "Estranho desconhecido...
muito estranho todo este escarcéu.
Você senta comigo, me dá bons conselhos,
me mostra, no Inferno, o caminho do Céu.
Mas não sei por que se esconde...
Vai, me diz logo qual teu nome!"
"Meu nome, amigo, é Daniel."
Postado por
Daniel
5
comentários
03 março 2006
Até logo...
O passo é sempre a espera do caminho;
Nunca da parada.
O silêncio é sempre a esperança da voz;
Nunca da mudez.
A morte é sempre a certeza da vida,
Ainda que na memória de quem fica;
Nunca a certeza do fim.
A lágrima que pende ao rosto certifica
a essência do que se sente pelo outro.
Chora.
Amar e sentir a falta não é para todos.
Solitariza-te.
Contigo (somente) mora a resposta da dor.
Brinda a morte.
Ela é bela.
Se por ela não fosse, que sentido teria a vida?
Postado por
Daniel
2
comentários
24 fevereiro 2006
A minha morte
Quando minhas pernas não aguentarem meus passos
E meus olhos confundirem as palavras que escrevo;
Quando meus cabelos abandonarem o ninho de minhas idéias;
Quando meu coração transformar em pedra o pulsar dos outros,
Quero estar debruçado em uma janela grande
E do lado de fora observar o sentido das coisas.
Quero olhar para a sala vazia e sentir saudades.
Quero a melancolia bucólica do vento em minha face.
E ficar ali parado
Lembrando das minhas faltas e dos meus erros.
Neste momento, quero estar só.
Apenas eu e a janela.
E quando a lágrima cair (certeza inexorável),
E correr no terreno acidentado do meu rosto,
Não quero lenços ou condolências,
Nem tapinhas, nem memórias vãs.
Quero apenas o sentimento de estar sozinho.
Quero apenas a dor e a tristeza, eternas companheiras.
Quero a fantasia da existência humana,
E poder vivenciar naqueles poucos segundos restantes
O sabor outrora esquecido da plena vida.
E ao cair, não quero fazer barulho.
Não suportaria o alarde de ninguém ao meu lado!
Quero que me deixem cair, e só minha lágrima regar o chão,
Sem velas, sem beatificação,
Sem heroísmo, sem gritos.
Apenas eu e a terra molhada.
"Do pó viestes, ao pó voltarás" .
Vivi por dois segundos.
Postado por
Daniel
0
comentários
21 fevereiro 2006
Será?
Os erros são acertos
em dias que virão
de paz, de harmonia
fechando a dor no peito,
erguendo-se do chão.
Não! não há jeito
se o sofrimento é professor
afastando a monotonia
da dor, vislumbrando a vida
como um discípulo
sem conhecer o fim;
se satisfazer ao ver preenchida
a vontade alcançada,
a felicidade tão querida.
E assim a tristeza vira festim
ao ver adiantada
a chegada do amor eterno
que saiu pra dar uma volta,
e agora, destino sem volta,
sai do limbo, do inferno,
e se aquece nos braços
de quem nunca esqueceu
e nunca foi esquecido.
E agradece, e pede a Deus
que a felicidade deste momento
se multiplique pela vida dos dois
que agora um só são,
sorrisos ao vento,
e unidos, são amor, não depois.
São tudo, são crianças.
São Daniel e Fernanda.
Postado por
Daniel
0
comentários
Despedida pra um novo amanhã
Boa noite.
Esta noite fria e gelada
congela a alma;
desfaz o remédio que te dou; aguça a solidão;
delineia a tristeza.
Mas aponta para o dia,
novo dia,
onde o sol pode nascer de novo.
Dorme com Deus.
Que Ele te proteja
e te acompanhe
e vele teu sono
pra te guardar dos males
da noite fria e gelada
que eu passo por aqui.
Sonhe com os anjinhos
te seguindo no paraíso.
E que os arcanjos,
mestres da falange,
guiem teu caminho
junto aos querubins,
símbolos da inocência tua,
te trazendo alegria ao sono.
E que o cupido, anjo-amor,
te aponte minha flecha
pra te acordar,
pra te abrir os olhos.
Comigo
esteja teu pensamento,
teu sonho, teu futuro;
esteja tua vida, minha vida;
seja teu mundo,
tua felicidade.
Comigo esteja você
ainda que apenas em sonho,
seja você comigo.
Te amo
Mais que a mim mesmo.
Mais do que o sofrimento
se mostrou incapaz.
Falsa verdade!
a sua, a minha,
a de todos que não sentem
o que sempre sentimos
e fingimos não...
Não é pouco que te amo.
É muitão.
Postado por
Daniel
0
comentários
12 fevereiro 2006
Num maço de cigarros mora um poema
Minhas cinzas não têm brasas.
Minhas cinzas não têm fênix.
Minhas cinzas não têm côr.
Minhas cinzas são só pó.
São apenas restos de uma vida curta.
Minhas cinzas são cinza.
Como a nuvem agora bem acima de mim,
são uma ameaça.
Minhas cinzas são lembranças.
Minhas cinzas são mistura de chão;
são sujeira, água e calcário.
São desprezo e doença,
são vício e prazer.
Morte.
Minhas cinzas são resto,
são flocos de ignorância no ar,
são desespero e ódio.
Minhas cinzas são o enterro,
minha guimba é o defunto.
Postado por
Daniel
1 comentários
08 fevereiro 2006
Amarguras passadas
Em meu sorriso, a lágrima
Em meu desejo, você
Em minha tristeza, a dor
Em minha vida, sofrimento
Em meu pranto, a perda
Em meus dias, a noite
Em meu caminho, a pedra
Em minha música, o grito
Em minha história, a falha
Em minha visão, a fumaça
Em minha cabeça, a loucura
Em meu canto, as tralhas
Em mim mesmo, um outro
Em meu peito, o amor
Postado por
Daniel
0
comentários
Olhos de criança
Se eu quisesse voar
será que eu voaria?
Se eu quisesse bater minhas asas
para imitar Icarus
será que eu as teria?
Se eu quisesse levantar vôo para rasgar o céu
Será que eu poderia?
Se eu quisesse voar
para chegar perto de Deus
e contar-Lhe todos os meus segredos
será que eu...
Neste vasto céu azul
os sentimentos humanos se perdem
e o olhar ganha distâncias impossíveis.
Neste céu claro e limpo
as nuvens são uma ameaça,
os pássaros são intrusos,
a chuva é uma imensoidão de lágrimas.
É melhor eu ficar aqui no chão
onde eu fico no meu canto, quieto,
e não atrapalho a solidão
deste vasto céu azul.
É melhor abandonar o sonho de criança
e seguir a minha vida como deve ser
e admirar o céu como ele é:
um infinito inexistente no mundo.
Postado por
Daniel
0
comentários
O vaso
Um vaso vazio esconde o conteúdo de mim
Todo emendado, ele cambaleia no aparador
Todos assistem a dança daquele vaso
E ninguém se move,
Ninguém esboça uma só reação
Um vaso grande e bonito e detalhado
E vazio.
Ele dança ameaçando despedaçar-se novamente
Quem esbarrou no vaso?
Quem deu início ao seu movimento ameaçador?
Eu esbarrei no vaso
Eu mesmo topei nele.
Eu sempre faço isso.
E todos olham, sem esboçar nenhuma reação.
Postado por
Daniel
0
comentários
03 fevereiro 2006
Viagem no tempo (inacabado)
Volto atrás.
Sonho atrás.
Sinto outros ares,
novos pesares.
Malícias do tempo, museus?
Antigas visões de Deus.
Meu ditado de outra era
Na minha cabeça, quimera.
Na imaginação faz;
na realidade, jaz.
Vestidos, perucas, homens,
marcas que no tempo somem.
Viagem inseperada
é canção inacabada
Esperança de ficar
e nunca precisar voltar.
Postado por
Daniel
0
comentários
Um poema um tanto brega...
Tuas digitas ainda marcam meu corpo.
Trilhas rasgadas de sangue
ainda marcam a minha carne.
O começo;
o fim.
Aquilo que poderia ser
e não foi.
Um mundo de coisas,
um fundo sem mar.
Uma despedida sem razão.
Me faz entender
Me diz o que fazer
Ainda quero o teu beijo
e o teu amor de dentro.
Eu não queria isso.
Eu não queria chorar.
Eu não pedi nada
além do teu querer.
E eu o tenho
mas não posso ter.
O mundo é meu,
mas não quero o mundo.
Quero o espaço pequeno,
mas gigante,
do teu coração.
E ver teus olhos
e tua boca
e teu corpo...
Não quero nem pensar.
Deixa acontecer
o que tiver pra acontecer.
Eu te amo
e não preciso amar mais ninguém
enquanto você existir.
Postado por
Daniel
1 comentários
02 fevereiro 2006
Soneto do amor adiado
Se faço, se não faço
se disfarço o que penso
se compenso o que é escasso
se o espaço é muito denso
fico tenso e me perfaço;
desembaraço tão pretenso...
Se venço, ganho o cansaço;
se desgraço, perco o senso.
Fracasso, coração em pedaço,
esperança em estilhaço,
lição que não dispenso.
Apenas mais um passo.
Na lágrima, um estilhaço,
um sorriso quiçá extenso.
Postado por
Daniel
0
comentários
01 fevereiro 2006
Sem saber o que fazer
Escutar uma banda nova
Deixar o sorriso no ar
Ficar triste ao acabar
Ferir tudo o que sinto
Cavar a própria cova
Sair do desconhecido recinto
Viver em função de um futuro
Cair e não querer se erguer
Amar e não fazer sofrer?
Chegar para depois sair
Ficar e se sentir maduro
Se assustar e querer fugir
Compor a canção de alguém
Recitar versos desse amor
Pintar telas dessa dor
Dançar a cidade do início
Imaginar o que está além
Cantar a vida, um precipício
Tentar entender o intelegível
Escutar a surdez do tolo
Teimar em solar o bolo
Chutar, no chão, o vagabundo
Fantasiar o factível
Banhar de mel o que já é imundo
Saber aprender a lição
Se entregar sem ter medo
Acontecer sem nenhum enredo
Esquecer o futuro, ainda não veio
Ouvir, de uma vez por todas, o coração
Não parar o movimento bem no meio
Postado por
Daniel
0
comentários
14 janeiro 2006
30 de dezembro de 2005
Hoje é meu dia de luto.
Luto pela minha felicidade
que hoje faria aniversário.
Luto pelo meu destino
que é teimoso e não se cumpre.
Luto pelo amor que tive.
Luto pelo meu sonho.
Luto pela minha filha
que não vai nascer.
Luto com meu choro
companheiro amargo das noites.
Hoje é dia de lágrimas.
Hoje meu pranto não pára.
Hoje luto com meu luto
pra ele acabar logo;
pra ela voltar ou ir de vez.
Eu só quero viver.
______________________________________________
Relutei pra postar esse. Mas como a intenção aqui é exorcizar, coloquei ele. Escrevi num dia que não foi muito bom. E foi o que pensei naquele dia...
Postado por
Daniel
2
comentários
10 janeiro 2006
A Praia
Eu andava na praia.
Andava porque tinha pernas curtas
e não conseguia correr, vontade minha!
E assim olhava para tudo, para todos
e nada conseguia entender
tamanho era o mundo, gigante
frente ao meu mundo franzino.
E admirado, não vi o tempo voar
e as ondas molharam meu corpo
refletindo os raios do nascente.
Eu corria na praia.
Tinha medo do tempo voar.
Minhas pernas mais graúdas tilintavam
pelo vento em meus olhos, pela liberdade
de não perder o tempo admirando
o que vai estar sempre ali.
E não percebia a brisa, o mar
a mulher semi-nua, as gaivotas famintas.
E não percebia o sol da manhã
queimando aos poucos a nuca
de quem está ali para queimar o corpo.
Eu nadava na praia,
para refrescar do sol a pino
porque correr já era futil demais;
porque eu dominava o mar
e não tinha medo das ondas e
nem do tempo passando.
E do mar, via toda a praia, paraíso!
E eu queria voltar, com saudades,
mas a correnteza me impedia pra mais longe;
pra mais perto do horizonte perdido.
E eu gritava por socorro.
Eu deitava na praia.
Deitava porque o mar era perigoso;
porque na areia tinha pessoas minhas
e ali tinha a companhia de mim.
E não importava mais o tempo
se voava, se parava, se sumia.
E deitava e não olhava para o nada
e aproveitava o sol da tarde
pro meu corpo colorir o vermelho
de quem não tem preparo para o sol
e pra descansar as pernas bambas
cansadas de uma orla tão grande.
Eu parava na praia.
Admirava o pôr-do-sol, irradiante
paralisado pelo mar revolto
e pela brisa de fim de dia.
E me irritava com as pessoas que
iam embora sem comigo compartilhar
a visão linda do céu na Terra,
desdenhando do presente diário de Deus.
E, harmonicamente, meu corpo e eu
permaneciámos parados, até o último feixe
se esconder na última onda
do último horizonte perdido.
Eu morri na praia.
Não havia mais sol.
Não havia mais gente
A maré tinha subido.
A areia não era mais quente.
E a praia era só um infinito negro
que não me dava mais a alegria do dia.
E não tinha mais para onde olhar,
não tinha para onde ir.
Então morria no véu escuro do mar noturno
sem razão, sem mundo, sem nada.
Eu andei, eu corri,
eu nadei, eu deitei,
eu parei, eu morri.
Naquela praia gigante
eu vi o tempo passar no paraíso,
eu vi o nascer e o pôr do sol.
Eu cheguei tão perto, tão perto...
E agora, sem saber,
espero o recomeço do dia
para que eu possa fazer da praia
minha casa, minha vida.
Postado por
Daniel
0
comentários
09 janeiro 2006
V
É o sol nascendo de novo?
É um incêndio na mata do vale?
É um farol de um carro ao longe?
É o brilho dos teus olhos?
Não. É a minha miopia
que não me deixa enxergar direito.
Preciso de óculos.
Postado por
Daniel
0
comentários
04 janeiro 2006
Coca Light
Tem gosto suave, leve.
Tem gosto de boca, de beijo.
Acompanha bem um salsichão na brasa.
É menos doce, mas faz um bem...
Só tem um problema,
que nem sei se é problema:
vicia.
Postado por
Daniel
1 comentários
03 janeiro 2006
Introdução

Recluso, em um quarto escuro, ele chora. Apenas ele, em sua solidão, habita aquele cubículo de uns 4 metros quadrados. Sem janela, sem luz, sem ar, sem vida, sem nada. Sentado em um chão imundo, com seus braços entrecruzando as pernas encolhidas, ele derrama o pranto de sua tristeza infindável. A porta por onde entrou já não mais se encontra ali. A impressão que ele tem é a de que as paredes, cada vez mais, se apertam, se comprimem, espremendo seu corpo já debilitado, sufocando a sua agonia já companheira de tempos. As lágrimas caindo ao chão e seus soluços de tristeza são os únicos sons que ecoam no lugar. Solitário, sozinho no mundo, permanece ali, parado, estático naquele sentimento de desespero, sem fazer esforço algum para sair. Incerto, ele aceita sua condição e se entrega para a própria sorte. "Aconteça o que acontecer...", ele pensa. E chora. No escuro, ele chora, sentado em um chão imundo.
Pensa em tudo o que acontecera. Pensa em si mesmo agora. Pensa em como e quando entrara ali. Pensa em sua vida sem sentido aparente. Pensa em seus sonhos de mais jovem. E não conclui nada. Põe a mão no chão; pela primeira vez descruza os braços das pernas dobradas e apóia seu braço no chão sujo e encharcado. E chora. Lembra-se de tudo e desata ao pranto nervoso que já se acostumara. Ao arrastar a mão para recuar novamente à posição inicial, esbarra em algo ao seu lado, algo que o surpreendeu apenas pelo fato de estar ali, ao seu lado. Não enxergava nada. Mas mesmo assim pegou o tal objeto para analisar. Parou de chorar, momentaneamente. As lágrimas, fazendo um caminho seco em seu rosto, dão espaço para os soluços de quem retêm o pranto. Pegou um papel com um lápis. É um papel e um lápis. Fica ali, parado, pensando no que aquilo poderia estar fazendo ali. Não consegue ver se o papel está em branco, se está escrito, se é colorido... É um papel e um lápis.
Os soluços ficam fortes novamente. A ânsia de chorar volta quase que rasgando os olhos. Ele pega o lápis, pega o papel e, intuitivamente, começa a escrever. Rabisca o papel todo em tolices que nem mesmo pode ver.
Recluso, em um quarto escuro, ele chora. Agora chora palavras, chora letras, chora lágrimas de tinta; mas ainda chora.
Postado por
Daniel
1 comentários