26 dezembro 2005

Poética ode do retorno

Voltastes, vozes da poesia!
Retornastes do limbo infame.
Emudeci a caneta por curto tempo,
ensurdeci teus prantos,
fechei os olhos ao teu espelho.

O meu único orbigado é teu,
que não me abandonas em deserto
e não faz de mim sedento eremita.
E tuas palavras, água cristalina,
são e não são, são e não são
miragens no calor do peito,
espelho no pulsar do rosto,
conforto na tinta da caneta.

Retornastes, pro bem de mim.
Pro bem, retornastes de mim.
Pro bem de mim,
de mim...

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