"O amor é sofredor, é benigno. (...) Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta."
I Coríntios, 13
Toda mulher que tenho é um amor.
Chego a esta conclusão, é provável, preciptadamente.
Mas essa voz contínua do vento batendo no gramado,
esses dois beija-flores brigando por um simples copo de água com açúcar,
aquele homem desgraçado, lá longe, trabalhando em sol a pino,
enquanto eu, burguesamente, me desenho em tolices;
essa amargura pra interpretar a vida,
sólida, solidária na minha solidão,
me fazem especular que amo cada mulher que tenho.
Alguns amores duram quatro anos e pouco;
outros apenas quatro meses e pouco.
Mas ambos são amores.
Ambos sofrem, desiludem, desventuram;
ambos trazem a memória imagens de tempos e lugares.
Não posso macular outra cidade com um novo amor...
Me mudarei para algum canto ermo
pra ver se levo pra bem longe essa dor.
Toda mulher que tenho é um amor;
todo sofrimento que sofro é uma dor;
toda dor que dói no peito é solidão;
toda solidão sou eu, in natura,
estado puro de mim mesmo.
Todo amor é uma mulher que tenho;
todo amor é um amor perdido;
toda perda é uma saudade infinita;
todo fim é uma chegada;
toda chegada é impossível em vida.
Amei ela. Amei ela também.
Amo, amei e amarei sempre.
Crivado de balas no peito, insisto
em amar e em sofrer e em chorar.
É minha sorte, minha sina,
a trilha sonora de minha vida.
Aliás, música?
Deixei a melodia de lado.
Agora só presto atenção nas letras e nas palavras.
Quero respostas, e sei que hei de não encontrá-las tão cedo.
Só mais dúvidas,
mais perguntas sem respostas.
E o coração pulsando palavras
dos amores
de quatro anos e pouco
e de quatro meses e pouco.
Um comentário:
Sabia que algo de estranho havia nessa sua quietude...
alguma forma de amor não solicitada nesse breve tempo, foi colocada e aqueles,que apostaram contra, ganharam, pois ali, não deixaria de ser mais um amor de verão
o que foi falado
foi escrito
o que foi desejado
não foi cumprido
e aqui dentro lateja uma dor
uma lembrança
um frio na barriga
um calor que por outro não sinto
uma vontade de ir embora
de pegar esse trajeto
de virar o ano beijando sua nuca
ela tão namorada por mim
ahhhh! saudades... aquelas que ardem meus olhos... aquele soco na parede, aquela vontade interminável de discar seu número
e falar, oi.. como vai você?
e como escrever se minha visão continua embaçada... as lágrimas não disputam mais a noite com a chuva.. e ai é que sinto mais..
pois a temperatura do seu corpo combina direitinho com esse frio que faz aqui, perto de mim, longe de ti.
daniel, um amor não escolhe, ele é escolhido.
entenda isso.
EU AMO VOCÊ E NÃO PRECISO AMAR MAIS NINGUÉM ENQUANTO VC EXISTIR.
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