20 dezembro 2005

Minha concepção (temporária) do sofrer

Elegia do homem comum
Vil tentativa de esperança
Dor fragmentária dos corações
Preleção eterna de quem vive
O que é o sofrimento
Senão a existência no mundo?
Senão o que nos lembra
A humanidade ignorada
Em ídolos de barro?

Sofrimento é, sim, dor.
É angústia, agonia, por amor;
É necessidade urgente do paraíso
Caminho sempre impreciso.
Insaciabilidade, desventura.
Remédio amargo, que cura.
Companheiro até a morte
Certeza, mais que a morte.
É redenção, degrau por degrau.
Batalha do bem contra o mal?
Não! Apenas vida, que se vive
Entre perdas e ganhos,
Surpesas e devaneios,
Entre o mito e o real.

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