29 novembro 2005

Sobre meus pés

Sobre meus pés ela permaneceu
Sobre meus pés ela me pediu este poema
Esmagando meus sapatos durante a dança
Descalça de toda a forma de dor

Sob seus pés estou eu
Sob seus pés miro seus olhos
Permaneço estático, mudo, cego
Admirando a beleza eterna da musa

Em espera, torço pra estar vazio
Em espera, mergulho em sonhos vãos
E então ela aparece, decepcionada
Desencantada pela travessura frustrada

E fico fitando sua alma
E fico em devaneios dela
Voando na imaginação de palavras
Caindo na tentação da nova paixão

Sobre meus pés, sob seus pés
Em espera fico.
Presente, futuro, passado...
Nada disso faz sentido ao lado dela

O Sono dos Frustrados

Cheguei em casa roendo as unhas
Tua proposta não saia da cabeça
Ressoava em meus desejos quentes
Enfraquecia minhas pernas bambas
E as idéias não surgiram na hora
Tudo o que pensei foi teu corpo nu
Foi em teus seios, minha boca
Tuas mãos descendo minha barriga
E teus cabelos puxados por mim.

Não dormi, meu sono perdeu a batalha
O gosto dos teus lábios não saiam
E na garganta, preso, entalado,
Permanecia o meu grito de tesão
Que ainda não soltei, deveras,
E que hei de libertar contigo
Numa noite mais longa que esta.

Trouxe-me ao teu peito descoberto
Levou-me ao frenesi de ti
Mostrou-me o limite do insaciável;
E agora, sozinho, sem sono,
Escrevo tentando afastar a excitação
Com que me deixastes abandonado.
Velo a noite dos frustrados
Olhando a chuva, esperando Hipnos.

25 novembro 2005

Rio

O rio que agora passa
Não é o mesmo que passou
Esse sou eu, metamorfo
Mutante, ininterrupto.
Nascendo sem morte
Desaguando ao mar longínquo

Cada dia, uma gota diferente
Cada minuto, uma visão
Cada queda, uma nova cicatriz

Sou eu, assim, rio
Agua cristalina de beber
Moradia da pesca alheia
Depósito de pedras talhadas
Represa de mim mesmo
Sempre em curso
Sempre diferente
Antes um, agora outro.

Ouvindo o Poeta falar

Meus dedos escorregando em teus braços proibidos
Exalando o perfume das vontades extremas
E o insaciável desejo da tua boca, meu Deus!
Como retive meu apetite de ti naquela noite!
Como controlei meus impulsos mais íntimos!

Tua boca de carne gritando pela minha
Tua testa pedindo um beijo afetuoso
E a tela jogando poesias que tocavam você e eu.
E os olhos ingênuos de quem não sabe e não pode
E eu e você entreolhando-nos sem precisar dizer

Fiz milagre em não forçar-te um carinho maior
Ouvindo o poeta falar de paixão intensa
Guardando o desejo pra depois, quiçá!,
Quando vou poder beijar tua boca com a vontade
Que no ínicio deste poema me impeliu à pena.

20 novembro 2005

Pontuando o Fim

.
Antes

Por que?
Quando?
O que?
Hã?
Onde?
Quem?

Durante

Deixa...
Seja...
Faça...
Tenta...
Fala...
Beija...

Agora

Foi.
Passou.
Acabou.
Gostei.
Obrigado.
Deixa pra próxima.

09 novembro 2005

Minhas Vidas

Minha vida dividida
Entre o medo e a ternura
Entre o tempo e a amargura
Entre o ódio e o perdão

Minha vida estilhaçada
Em pedaços pequenos de vidro
Em cacos sem nenhum sentido
Em gotas de sangue ao chão

Minha vida devagar
Andando em ritmo lento
Procurando repouso, acalento
Achando coisas em vão

Minha vida, que é só minha
Que antes era reticente
Que antes era de mais gente
E agora não é mais não

Minha vida cansada de se dar
Que fazia tudo por amor
Que silenciava, calava a dor
Jurava eterna aquela canção

Minha vida de mentira
Se afasta em boa hora
Me permite fazer do agora
Papel em branco e lápis na mão

Tatuagem

Poesia eternizada no corpo
É idéia que perdura no tempo
Em vão é o arrependimento

É sentimento gravado na pele
Externo, antes lá dentro
Quando chorou o coração em dor

Agora é uma marca de vida
Literalmente, cicatriz de momento
Lembranças perdidas de alguém

Eu mesmo, marcado em letras
Em uma pessoa que não mais é
O autor da eternizada poesia

Soneto Ingênuo

O que não é pra todo o sempre
Se faz preemente agora
Aproveitando toda a hora
Que restar deste presente

Quando se pensa, se demora
E a vida é intermitente
Parte falha, parte consciente
Monstro só, que ri e chora

E lá no deserto quente
Lá onde este monstro mora
Sem música, sem sol, sem gente

É lá que o presente aflora
Fazendo do monstro carente
Uma criança ingênua que te devora

Pretérito Imperfeito de Pequenas Coisas

Eu sentia falta de você também
De te encontrar em dias de semana
De você faltar a faculdade pra me ver
De sair sem dar explicação
De tudo o que você me disse.
Mas você precisa de um espelho estranho
Pra refletir o que é dos outros
Pra ficar medindo a relação
Pra saber se estávamos lá, ou não.
E a bomba estourou comigo
E a culpa ficou sendo minha
Sem saber o que tinha feito.
Meu erro foi ter começado cedo
Foi ter acreditado demais
Foi ter posto fé em excesso.
Aquela adolescente reprimida
Agora sai pra gritar a vida
Se rebela, se liberta das correntes.
Este passado de imperfeições...
Começo a me arrepender de ter começado.

Juliana

Meu chão que descobri tarde
Que agora me sustenta a vida
Em brigas se revelou amiga
Em falhas se revelou irmã
Difícil é escrever de ti
Palavras faltam, rimas não vem
Mas sentir tua alma com a minha
Sentir teu amor ao meu lado
Saber que você existe
Isto não dá trabalho algum
Pois o laço eterno que nos une
É o que nos guia a vida inteira
E é o que torna fácil a compreensão
Do sentimento mais profundo
Que alguém pode, em vida, sentir:
O amor de irmão para irmão.

Te amo Jujuba!

05 novembro 2005

Acróstico

Brinda esta viagem imponente
Reflita na rede comigo
Ultrapasse os limites do pensamento
Navegue em busca do sentimento
Admira a vida que passa na tua frente

Resquícios de velhos mares resistem
Ondas que batem em ti e em mim
Sente a brisa cair nos olhos
Sente o vento trazer novos ares
Ouve o ditado do "eterno aprendiz"
Nada que exista neste mundo
Impede a ti de ser feliz

04 novembro 2005

Eu Comigo Mesma

São vozes dentro de mim
Que falam de mim, que saem de mim
Conversando, gritando, sussurrando

São vozes que me perturbam
Que me despertam na madrugada
Que me aconselham loucuras certas

São vozes que me mostram caminhos
Uns tortuosos, outros lineares
Caminhos que levam a algum lugar

São vozes que me seguem
Se vou ou fico, não importa
Porque a presença é constante

São vozes sábias
Que conhecem a estrada
Que me conhecem desde o início

Sou eu comigo mesma
Me interpretando a cada dia
Me mostrando quem eu sou

Mas estou surda, não escuto
Porque não quero, ou não posso, sei lá!
Fico parada olhando o mundo passar
Traduzindo sinais
Vislumbrando images sem sentido
As vozes teimando em gritar
E eu teimando em permanecer surda

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Comentário: Essa foi mais ou menos uma promessa, agora cumprida. Espero não ter desrespeitado nenhum de seus sentimentos. Se o fiz, desculpas, mas tentei ao máximo não fazê-lo. Bom, de qualquer forma, está aí o resultado de minhas divagações...

Uma Conclusão Torta

Solidão. Muita solidão.
Tudo o que acontece em mim
Se resume a isso: solidão.
Daí vem tristeza, aperto, rejeição
Meu coração murcho não aguenta
Choro sem verter lágrimas
Choro contido, por dentro
Tenho medo de meu futuro
Perdi o chão, perdi meu rumo
Tudo o que tenho sou eu mesmo.
E como me guiar? Como seguir em frente?
Não aguento a dor que sofro
Não tenho paciência de esperar
A casa toda escura dá o tom
Do sentimento que em mim urge
Me sinto abandonado, ao léu
Quero chorar, mas nem isso consigo
Estou perdido. Só isso que sei.

03 novembro 2005

Sem Rumo

Solto a mão do volante e piso fundo
Deixo a estrada guiar meu rumo
Fecho os olhos e escuto o vento no parabrisa.

Se eu bater, não me importo, pois
Sobrevivi ao pior acidente possível.
Não morrerei novamente.

Agora que o carona pulou fora,
Que dirijo o carro sozinho,
Não quero saber de freio.
Piso fundo e acelero a vida
E só paro quando acabar a gasolina.

02 novembro 2005

Cordel de Saudade ou Poema de Vontade?

Te quero de novo
Beijar tua boca como mel
Levar dois corpos ao delírio
Fazer carinho em tua nuca
Trazer abaixo o próprio céu.

Deixar rolar o que for
Mandar na própria rebeldia
Cair na noite sem horário
Beber cerveja, dançar, se olhar
Provocar sinestesia

Quero poder deitar na rede
E bater papo sem rancor
Tirar teu cabelo da testa
Pra olhar direto nos olhos
E poder falar de amor

Fazer a vontade tua
Fazer a minha vontade
Escutar as mesmas músicas
Ter os mesmos gostos
Ser fantasia e realidade

O impulso me impele ao ato
Mas a razão me puxa pra trás
O mundo é dividido em dois:
A pessoa que fica parada
E a pessoa que luta e faz

Te quero de novo
Mas não depende só de mim
Espero um sorriso teu
Que me indique a vontade tua
De a estas estrofes dar um fim...

01 novembro 2005

Cicatrizes

São marcas de uma luta
São impressões digitais da batalha
São identidades da experiência
São aulas da vida
São memórias
São ferruadas do destino
São gotas de lágrimas
São sorrisos mascarados
São gritos de dor
São lembranças eternizadas

São pra toda a vida
São na pele
São no coração
São em todo o lugar
Que possa machucar
Uma pessoa com amor na veia.

Cicatrizes...
Marcam a gente pra sempre