Adeus pai.
Me despeço de tua esperança
Deixo, com rancor, minha futura vida
Sinto falta de você
Dos sonhos em que te visitei
Dos recados que enviei pelos outros
Fico triste em saber que não mais
Me pegará em teus braços
Que não me ensinára coisas da vida
Que não terá ciúmes de meus namorados
E já tenho saudades da vida que não terei.
Adeus mãe.
Adeus ao teu sorriso sincero
A tua vontade de ser minha amiga
A minha vontade de ser tua filha.
Desculpas pelos sustos que dei.
Mas foi o desejo incessante da vida
Que quase me empurrou pra ti.
Queria chorar no teu colo
Queria receber conselhos teus
Mas fica impossível vir sem amor.
Adeus a todos.
Adeus vovôs, tios, primos.
A todos que seriam meus próximos
A todos que por mim sonharam
Àqueles que me desejaram vinda
Não virei mais, nunca mais
Não sentirei mais a vida
Que não tive, mas quis ter.
Adeus ao mundo que eu esperava
E que admiro de longe agora
Adeus a mim mesma
Que sou e não sou.
Que vivo em memória morta
Que nasci em meros desejos
Que morri em momentos de mágoas
Enfim, adeus à vida que desejei
E que nunca mais terei.
30 outubro 2005
A Despedida de Maria Luiza
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29 outubro 2005
O Paraíso
Nada vale. Perde o sentido.
Deixa de ser maravilha
Pra se tornar lugar perdido.
Faz corações intactos
Magoarem-se sem motivo.
Destrói histórias a dois
Faz do sol astro decaído.
Mas paraíso é sempre lindo
Sempre será paraíso
Mesmo com toda a mágoa
Mesmo depois de qualquer friso
Depois de toda a tristeza
Ainda é onde se vê o sorriso
Que um dia começou a história
Hoje terminada sem aviso.
Paraíso é Paraíso
Mas sem amor, realmente, nada vale.
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28 outubro 2005
Química Infernal
De olhos voltados para o chão
Chego na casa, largo a mala
Sento no sofá e espero o tempo passar.
Ela ali, fazendo a unha
E eu aqui, olhando o relógio.
Escrevo um texto, desabafo
Tiro do peito um saco de tijolos
Volto pra sala, pra televisão.
Ela ali, do meu lado
E eu aqui, fingindo tudo bem.
Tento dormir sem remédios
O pensamento vai embora pra trás
Acordo e tudo igual
Ela ali, de olhos vermelhos
E eu aqui, de olhos molhados.
Conversa, bebida, bronzeado
É difícil esquecer tudo
É fácil me perder em lágrimas
Ela ali, olhando pro mar
E eu aqui, olhando pro nada.
Mensagem no celular, êpa!
É dela mesmo? É isso mesmo?
Olho pra ela do meu lado
Ela ali, disfarçando a vontade
E eu aqui, surpreso e nervoso.
Puxo assunto, falo besteiras
Respondo a pergunta dela
Bebo mais um copo
Ela ali, contendo um sorriso
E eu aqui, pensando o que vou dizer
De volta pra casa, o papo continua
Um beijo nervoso acontece
Os outros invejam atônitos
Ela ali, colada ao meu corpo
E eu aqui, pensando no que fazer depois.
A noite chega, a gente sai
Vai pra farra, bebe de graça
Se beija, dança, faz besteira
Ela ali, me olhando e rindo de leve
E eu aqui, não acreditando.
A gente chega de carro
A gente fica sozinho
A gente dá uma volta
Ela ali, linda e nua em mim
E eu aqui, sem ação.
Deitados na rede, uma conversa
Papo vai, papo vem
O tempo voa e nem percebo
Ela ali, com suas manias estranhas
E eu aqui, falando de mim sem nexo
Voltamos pro mundo real
Tudo volta ao normal
Não posso dar um beijo
Não posso envolve-la em meus braços
Ela vai embora
E o telefone marca a distância
Mas não definha a vontade
Que tenho de beijá-la de novo.
E agora? Como consigo?
Ela lá
Eu aqui
E a química infernal entre nós dois.
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25 outubro 2005
Orgasmo
Olho pro papel em branco
Idéias estranhas pintam na cabeça
Um calor ardente sobe todo o corpo
O instinto leva a mão à caneta
Tento controlar o impulso
Me esquivo do testão latente
Só penso em letras coloridas
Acaricio o papel, sinto sua carência
A excitação aumenta em palavras.
Penso o título em voz alta.
Já não aguento esperar mais.
Levo a caneta à folha
E ejaculo tinta no branco intacto.
Em êxtase, não penso ou olho nada
Ao final, abraçando o papel riscado
Reconheço nele parte minha.
Fumo um cigarro, levanto da cadeira
"Foi bom"? Respondo eu mesmo: "Foi".
O tesão vai embora aous poucos
A vontade começa a passar
Pego telefone e ligo pra alguém
"Você não sabe o que acabou de acontecer..."
Concluo: escrever é como o sexo
Não basta sentir tesão, gozr, admirar
Tem que contar a todos
Se não, não tem graça.
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23 outubro 2005
Transtorno Obsessivo Compulsivo
Não sei o que dizer na sua frente
Não sei como agir na sua frente
Mas foi maravilhoso o que vivi.
Não estava bem, e ainda não estou
Mas estou melhor por sua causa.
Lamento não corresponder
Minha mente vaga não deixa
Mas o que aconteceu foi ótimo
Por que foi contigo, pessoa linda.
Queria poder recompensar
Os erros que cometi, os beijos desengonçados
Os abraços vagos, as poucas palavras;
Até as dívidas que deixei.
Mas o que faço é escrever este poema tosco
Cambaleante das pernas
Pra conseguir botar pra fora
A vontade que tenho de te ter
Em volta de meus braços novamente,
Sem pensar no passado ou no futuro,
Sem pensar em nada.
Só pra estar ao teu lado,
E poder sentir uma coisa
Que há muito não sinto:
A vontade de amar a vida.
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20 outubro 2005
No Escuro
Tirei o teto de vidro,
E botei um de telha de ferro.
É mais resistente.
Se chover não molha,
Só escuto o barulho da chuva;
Se cair granizo não quebra,
Esfarela o gelo em pó;
Se nevar, derrete,
E a água se derrama ao chão;
Se ventar, me protejo,
E o vento muda a direção.
O único problema agora
É que o sol se foi pra sempre.
Vivo no escuro, tateando coisas
Encontrando pequenas felicidades
Em pequenos achados.
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15 outubro 2005
O que aprendi
O impossível não existe.
Nada é para sempre.
"Cuide bem do seu amor".
Sinceridade acima de tudo.
A vida dá muitas voltas.
Tombos são feitos pra se levantar.
Orgulho é a pior coisa do mundo.
Lutar acima de tudo.
O mundo se divide entre pessoas que fazem e que ficam paradas.
Amar é a melhor coisa do mundo.
Se arrepender faz parte da vida.
Nada no mundo é perfeito.
Quando muito se quer, nada se tem.
A vida continua.
As coisas mudam de lugar, mas não deixam de ser o que são.
Saber enxergar o bom, ao invés de só enxergar o que está errado.
Não dá pra se ter certeza de nada.
Não existe amor perfeito, constante ou ideal; existe simplesmente amor.
Costume, amor e dúvida são coisas que se confundem.
O futuro é incerto.
Não me arrependo de quase nada.
Nunca se pode ter tudo o que se quer.
As pessoas mudam, com o tempo, com tombos ou com uma simples conversa.
Eu me amo.
Esperança as vezes é ruim.
Não desistir nunca, mas saber aceitar a realidade.
Tudo pode acontecer.
Amar é muito complicado, e ninguém sabe como.
Amizade é importante pra tudo na vida.
Erros devem ser admitidos e redimidos.
Nunca terei o meu passado de volta; mas posso mudar meu futuro.
Tenho amigos em minha família.
Tristeza passa.
Amor não acaba; se transforma ou apenas desaparece.
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11 outubro 2005
O humanismo de Daniel
Sou um humanista. Acho que já escrevi isto em outro momento, mas não tem problema; falo de novo. Sou um humanista de carteirinha. Realmente acredito no ser humano, ainda tenho fé nele. Ainda... Quando falo isso lembro do memorável discurso final de John Milton (interpretado por Al Pacino no filme "Advogado do Diabo") onde ele fala que ele, o Diabo, é talvez o último humanista. Não sei se existe um só humanista, mas realmente existem poucos. E eu sou um deles.
Ainda acredito em sentimentos. Acredito em sinceridade, em respeito, em compaixão, em piedade, em honestidade, em lealdade, em verdade, enfim, poderia enumerar milhões de sentimentos humanos. Acredito neles. Ainda...
Ainda consigo enxergar o ser humano capaz de um convívio social. Ainda vejo ele pensando no próximo, se preocupando com o outro, fazendo para que o semelhante tenha um bom viver. Ainda...
É por isso que quando se trata de relações humanas eu caio de cabeça, entro com tudo, vou sem medo. Em tudo na minha vida eu me entrego de todo. E faço as coisas com amor, com prazer, com paixão mesmo. Sempre fui assim. Por isso que não gosto de planejar as coisas em minha vida; por que acredito no ser humano. Ainda...
O leitor atento e curioso deve estar pensando neste "ainda", com direito a reticências. Pois exlpico. "Ainda" porque cada dia que passa fica mais difícil acreditar. A vida vem me tentando provar que o ser humano não é o que penso que é, e eu teimoso, resisto. Sempre fiz tudo pensando e acreditando nesta minha premissa. Sempre pensei no outro. Sempre mostrei pra todos como gostaria de ser tratado. Sempre tentei fazer tudo direitinho, tudo as claras, tudo pra que o próximo de mim não se machucasse, acreditando (quantas vezes escrevi esta palavra?) que em situação contrária fariam o mesmo comigo. Afinal, quando a gente trata uma pessoa de uma forma, a gente tá dizendo pra ela também como ela deve agir conosco. Me repito...
A vida vem me ensinando que o ser humano é egoísta, mesmo sem querer ser; é da natureza dele. Paradoxo: o ser humano não é humanista. Existem alguns sentimentos que comprovam a malfadada tese: medo, mentira, egoísmo mesmo, desconfiança, descrença, confusão, imaturidade, e mais uma penca. Estes, por sua vez, acabam gerando o contrário daqueles primeiros de que falei acima. E saí daí que nenhuma relação humana é plenamente possível. Forte, porém, ao meu ver, falácia.
Isto tudo é ruim. conforme estas lições vão se dando, o coração vai empedrando, recrudescendo. A vida vai perdendo a inocência, a ingenuidade, a infantilidade. A gente vai enxergando as coisas com frieza, de forma calculista; vai deixando de se entregar, tudo vai ficando sem paixão, sem graça. Por um lado é bom aprender como as coisas funcionam no mundo. É bom perceber quem o ser humano realmente é. Deixar de ser babaca, pensar um pouco em si mesmo. Por outro, perde-se o sentido da vida. Vejam, começo a falar como descrente. São as porradas que a gente toma...
Me orgulho de tudo o que fiz. Tenho a certeza de que me entreguei de cabeça em tudo na minha vida. Tenho certeza que mostrei quem sou em todos os momentos. Existem, inclusive, situações que me dão prazer de revisitá-las na memória, lembrando o que fiz. Só que o mundo dá voltas (clichê!) .O feitiço pode virar contra o feiticeiro (outro clichê!!!). É a lei do eterno retorno. E aí? Será que vão lembrar de você, como você lembrou do outro? Quase não existem humanistas, disse eu no início do texto. Sou um dos poucos. E é sempre do nosso lado que a corda arrebenta. O ser humano é egoísta por natureza, mesmo não querendo ser.
Assim fica difícil ser humanista hoje em dia. É a vida tentando me avisar que as coisas são mais complicadas. É ela tentando me trazer pra luz, tentando me mostrar o que é o ser humano por dentro. É ela tentando me desacreditar. Mas hesito. Teimoso e tolo, resisto aos golpes que recebo. Sou humanista. Ainda...
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Daniel
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10 outubro 2005
Caminhos
Caminhos que já seguiram juntos
E que agora são opostos
Podem no futuro se cruzar novamente
Podem se afastar cada vez mais
Podem ser interrompidos
Podem mudar de rumo
Podem perder o rumo
Podem se atrair, se repelir
Podem muita coisa.
O que sei é que estes caminhos
Partem de um mesmo ponto,
Tem o mesmo início.
E que não se pode voltar.
O que se pode é olhar para trás
E ver que caminho escolhemos.
E seguir em frente.
Seja qual for o caminho,
Eles podem muita coisa.
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