22 julho 2005

Do Meu Jeito

Há palavras que encantam
Outras que alegram, que impõem respeito
Há palavras que ferem, as que enganam
Enfim, há palavras para todo o pleito
Mas para este peito amargurado
Cansado de ser sujeito
De não ter feito, ou acabado,
Ou achado o caminho perfeito
Para este amargurado peito
Não há palavra que acabe,
Não há acaso que desabe
O insaciável desejo de ser
Eu, do meu jeito.

18 julho 2005

Sem nome

Esse mal que me vicia
É o mesmo que me liberta
É quem me deixa ao chão, fraco
É hóspede que nunca sacia
Enquanto não encontra peito
Que, vazio, aceite sofrer

Encontrado o coitado
Rasga-lhe a pele em furor
A fim de preparar terreno
E, rompidas as entranhas
Está condenada a vítima
A dormir pra sempre
O amor eterno.

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Esse poeminha escrevi há alguns (leia-se muitos) anos atrás. Não colocaria ele aqui, mas resolvi fazê-lo para ilustrar a minha ingenuidade, que ainda tenho e preservo, mas que era muito mais doce quando ainda podia me chamar de criança.

07 julho 2005

A Casa

Olho para aquela casa antiga,
Agora pintada de amarelo e branco,
Agora com portões na entrada da vila,
E não mais reconheço a criança que em mim dormia
Ali vivida e esquecida,
Que outrora regozijava o coração
E agora nostalgicamente o apequena
Diante de lembranças tão singelas
E de um presente de insensibilidades.
E fico parado olhando aquela casa,
Esperando minha vó sair gritando meu nome
Porque o almoço já está pronto,
E então eu paro a brincadeira
E volto correndo para o colo dela
Pra ela me levar pra dentro com carinho,
E sentir de novo aquele gosto de bife-à-milanesa
E depois dormir, e brincar de marceneiro
No sótão, e fingir dirigir o carro de madeira
Que meu avô fez pra mim.
E aí voltar para a rua pra ficar brincando
E ficar com medo da vizinha chata
Fazendo travessuras só pra irritá-la,
E ficar longe da casa mal-assombrada
Inventando estórias de fantasmas,
Vendo fantasmas, fugindo de fantasmas,
E passar o fim de tarde na calçada
Cumprimentando os passantes
Com minha vó me fazendo cafuné
Ouvindo causos de cabelos brancos
Até dar a hora da minha mãe chegar
E me trazer de volta pra onde estou
E me fazer concluir que aquela casa
Tão antiga e tão presente, tão amarela e branca
É um monumento há muito tempo erigido,
Ao ilustre desconhecido passado de minha vida.

04 julho 2005

Às 3 da madrugada

Pensamentos me atropelam o sono às 3 da madrugada.
Meus olhos abertos no escuro não enxergam nada.

Acendo a lâmpada. Ofuscado, pego a caneta e o papel,
E escrevo tolices sem sentido algum.
O relógio me ameaça com o tempo em punho,
O controle me seduz como remédio pra minha insônia,
Livros e cruzadas me aliciam na mesa-de-cabeceira.
Recuso tudo por preguiça.

O ventilador quebrado, meus porta-retratos,
Meu colchão macio demais...
Tudo conjurando contra meu descanso.
A falta do que escrever me faz reconsiderar,
E enfrentar os infortúnios. Fecho os olhos. É isso,
Ou ficar escutando o galo cantar às 3 da madrugada.

02 julho 2005

Vagas idéias para rimas tolas

Pensamento perdido
Poema escrito
Pensamento ao longe
Poema se esconde
Pensamento, solidão
Poema, ilusão
Pensamento inteligente
Poema coerente
Pensamento drástico
Poema fantástico
Pensamento certo
Poema incerto
Pensamento que foge
Poema que foge
Pensamento rápido
Poema ávido
Pensamento pequeno
Poema veneno
Pensamento voando
Poema chegando
Pensamento, magia
Poema, poesia.