26 dezembro 2005

Não importa o tempo

"O amor é sofredor, é benigno. (...) Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta."
I Coríntios, 13

Toda mulher que tenho é um amor.
Chego a esta conclusão, é provável, preciptadamente.
Mas essa voz contínua do vento batendo no gramado,
esses dois beija-flores brigando por um simples copo de água com açúcar,
aquele homem desgraçado, lá longe, trabalhando em sol a pino,
enquanto eu, burguesamente, me desenho em tolices;
essa amargura pra interpretar a vida,
sólida, solidária na minha solidão,
me fazem especular que amo cada mulher que tenho.

Alguns amores duram quatro anos e pouco;
outros apenas quatro meses e pouco.
Mas ambos são amores.
Ambos sofrem, desiludem, desventuram;
ambos trazem a memória imagens de tempos e lugares.

Não posso macular outra cidade com um novo amor...
Me mudarei para algum canto ermo
pra ver se levo pra bem longe essa dor.

Toda mulher que tenho é um amor;
todo sofrimento que sofro é uma dor;
toda dor que dói no peito é solidão;
toda solidão sou eu, in natura,
estado puro de mim mesmo.

Todo amor é uma mulher que tenho;
todo amor é um amor perdido;
toda perda é uma saudade infinita;
todo fim é uma chegada;
toda chegada é impossível em vida.

Amei ela. Amei ela também.
Amo, amei e amarei sempre.
Crivado de balas no peito, insisto
em amar e em sofrer e em chorar.
É minha sorte, minha sina,
a trilha sonora de minha vida.
Aliás, música?
Deixei a melodia de lado.
Agora só presto atenção nas letras e nas palavras.
Quero respostas, e sei que hei de não encontrá-las tão cedo.
Só mais dúvidas,
mais perguntas sem respostas.
E o coração pulsando palavras
dos amores
de quatro anos e pouco
e de quatro meses e pouco.

Argh!

Calem-se todos!
Cansei de suas vozes vis.
Estas frases íntimas de seus covis
enojam a tenra parte de minh'alma.

Não dou mais ao ferro a palma
Não quero ouvir os latidos de seus canis.
Não quero mais suas cores gris,
Não mais sou aquele rio de calma.

Basta de minha vida ao avesso.
Ouvindo vocês, de mim esqueço.
Esses olhos vermelhos de cal

me dão medo; eu não mereço.
Basta de cobertores em que não me aqueço.
Basta! todos vocês me fazem mal!

Embaralhando-me

Posto que sou o que sou
e compreendendo quem sou
descubro coisa nova:
que sou também o que não sou.
Caso contrário, não seria o que sou
pois que para sê-lo
é necessária a oposição do que sou.
Assim sendo,
tendo sido sempre desse jeito,
sei que serei este mesmo.
Não mudo, apenas me perco
em desesperos e desmedidas
justificáveis pelo fato de
ser sempre o ser que sou.

Poética ode do retorno

Voltastes, vozes da poesia!
Retornastes do limbo infame.
Emudeci a caneta por curto tempo,
ensurdeci teus prantos,
fechei os olhos ao teu espelho.

O meu único orbigado é teu,
que não me abandonas em deserto
e não faz de mim sedento eremita.
E tuas palavras, água cristalina,
são e não são, são e não são
miragens no calor do peito,
espelho no pulsar do rosto,
conforto na tinta da caneta.

Retornastes, pro bem de mim.
Pro bem, retornastes de mim.
Pro bem de mim,
de mim...

22 dezembro 2005

Respondendo a alguém

Eu também.
Mais do que você imagina.
Mais do que o egoísmo possa exigir,
dentro de um sentimento de posse,
a exclusividade de tua ventura,
para meu lado, somente.

Eu também.
Minha madrugada se dividiu
entre chuva e lágrimas.
Mas o que é a chuva
se não o pranto de Deus ao ver
amores de verão se dissipando
na alegria do destino que se completa?
O que são lágrimas se não
uma chuva de sentimentos que afloram
pungidos das entranhas de um ser confuso?

Eu também.
Alucinadamente, reverto a memória e
revisito os momentos de ternura
e vejo, e concluo, que em verdade
é a vida em seu movimento errático
imprevisível, incerto, imaturo,
aparentemente sem destino (mera aparência);
e que pra ela não se deve parar nunca
sob o risco do assassínio de si mesmo.

Eu também
queria tirar da dor um sorriso;
também fui gargalhado pela vida;
também acabei ficando.
Mas talvez seja hora de atentar para
o caminho que se abre a sua frente,
e dar o primeiro passo é difícil,
mas talvez você descubra que
ser feliz é mais que sorrir da dor,
é mais que superar chocalhadas da vida,
é mais que permanecer em local seguro

Talvez ela seja o perigo de tentar descobrir
(e conseguir!)
o que os poetas tentam, e lutam, desde o início:
o significado do viver...
Sempre um risco, sempre uma perda.

Soneto para July

O branco, o alvo do teu olho
que, dizem, não enxerga nada,
engana aquele que se faz tolo,
que podendo subir, desce a escada.

Teus caminhos, aos quais me encolho,
teus caminhos são jornada.
Enquanto eu, sozinho, colho
lições aprendidas a ferroada.

Se a vida, em mais uma pedrada
tirar a vista de um caolho
tu enxergas além, imaculada,

estes desejos que sinto e recolho.
São saudades que tenho da amada
e do branco, do alvo do teu olho.

Destino

Há uma viagem a ser feita
com destino ao próprio destino.

Búzios não é a mesma sem você.
É cidade morta, vazia de graça.
Não emana o ardor daquela vez.
Te queria aqui, ao meu lado
pra uma terceira dose de amor buziano.
Mas você ficou... Tua felicidade mora longe.

Surpresas não são surpresas;
são medos de ser diferente do que
imaginávamos anteriormente.

Portugal te chama.
Vai. Eu fico, rezando por ti;
pra tua vida seguir o caminho
que ela deve seguir.
Lisboa pode ser mais distante,
mas é o destino certo
que Búzios tentou ser, e não é.

20 dezembro 2005

O Anel em meu Dedo

Este anel que trago no dedo,
presente descompromissado,
entregue de relance, de coração.
Este anel de prata
detalhado, talhado a dedo
que não sai por vontade mútua.
Lembrança, memória, posteridade;
eternizante de um momento.
Este anel pequeno, apertado,
mas do tamanho do mundo também,
que abraça o meu sentimento;
que me faz carinho, me alicia;
que é desejo, amor, ventura.
Este anel brilhante de luz,
reflete o meu íntimo ardor.
Inquietude da alma serena,
materializada, metalizada.
Este anel...
É ele quem me acorda,
é ele quem me dorme,
é ele quem me persevera
um novo amanhã,
mais doce, mais sincero,
"plus fort, plus grand".
É este o anel em meu dedo.

Difíceis Tempos para um Peito Apertado

Tenho medo de dizer...
Tenho medo de precipitar o que é pra levar um tempo.
A minha angústia é viver e sentir tudo isso
e não poder (ou ainda não querer) colocar pra fora,
por causa de um frio na barriga,
por medo.

Assim eu me tasco de novo.
Não aprendi ainda...
O tempo corre, não pára, já disseram.
Eu aqui, tremendo, estagnado.

Porra! quero dizer!
Quero transformar em palavras o que sinto.
Quero escrever com a alma e o coração
e deixar a razão de lado.
Quero fazer o que sinto, e não o que devo.

Enquanto isso, me alimento de sonhos;
de músicas que consolem a vontade;
Sempre a música!
de vontades que me consolem os sonhos;
de sonhos que alimentem a música.
Enquanto isso...

Detesto isso! Tudo isso!
Não faço o que quero.
Não digo o que sinto.
Não vivo o que vivo.

Quero dizer que amo, mas
ao invés, invento histórias pra disfarçar
o amor por ela.

O outro, incomodado

Você aí sentado nessa mesa.
Que lágrima é essa, cara?
Que choro que você contém?
Que angústia que você sente?

Não quero falar da vida, cansei.
Quero falar de coisas bobas.
Não evita o choro, deixa cair.
Mas fala de bebida, de sexo
Talvez até música.
Fala do mendigo, da paisagem.
Sei lá! Fala de qualquer coisa...

Mas deixa a vida pra lá.
Ela não é pra ser falada,
É pra ser vivida.
Faz que nem o Alvim,
Não fala, faz.

Pára de pensar e enxerga;
Pára de imaginar e projeta;
Pára de tentar e seja.

Deixa eu pegar a caneta, vai?...

Minha concepção (temporária) do sofrer

Elegia do homem comum
Vil tentativa de esperança
Dor fragmentária dos corações
Preleção eterna de quem vive
O que é o sofrimento
Senão a existência no mundo?
Senão o que nos lembra
A humanidade ignorada
Em ídolos de barro?

Sofrimento é, sim, dor.
É angústia, agonia, por amor;
É necessidade urgente do paraíso
Caminho sempre impreciso.
Insaciabilidade, desventura.
Remédio amargo, que cura.
Companheiro até a morte
Certeza, mais que a morte.
É redenção, degrau por degrau.
Batalha do bem contra o mal?
Não! Apenas vida, que se vive
Entre perdas e ganhos,
Surpesas e devaneios,
Entre o mito e o real.

19 dezembro 2005

Sentado na varanda

Amorfa, sem cor, sem brilho;
Sobe ao sabor do vento
Sem destino, sem objetivo.
Dissipa no ar em vida curta
Deixando a marca no lugar.
E só pára quando a mão leva
A bituca ao fundo do cinzeiro.
É a fumaça do meu cigarro
Me ensinando um pouco de mim.
É minha angústia, como tabaco,
Que faço questão de tragar
Pra cuspir de volta depois.

29 novembro 2005

Sobre meus pés

Sobre meus pés ela permaneceu
Sobre meus pés ela me pediu este poema
Esmagando meus sapatos durante a dança
Descalça de toda a forma de dor

Sob seus pés estou eu
Sob seus pés miro seus olhos
Permaneço estático, mudo, cego
Admirando a beleza eterna da musa

Em espera, torço pra estar vazio
Em espera, mergulho em sonhos vãos
E então ela aparece, decepcionada
Desencantada pela travessura frustrada

E fico fitando sua alma
E fico em devaneios dela
Voando na imaginação de palavras
Caindo na tentação da nova paixão

Sobre meus pés, sob seus pés
Em espera fico.
Presente, futuro, passado...
Nada disso faz sentido ao lado dela

O Sono dos Frustrados

Cheguei em casa roendo as unhas
Tua proposta não saia da cabeça
Ressoava em meus desejos quentes
Enfraquecia minhas pernas bambas
E as idéias não surgiram na hora
Tudo o que pensei foi teu corpo nu
Foi em teus seios, minha boca
Tuas mãos descendo minha barriga
E teus cabelos puxados por mim.

Não dormi, meu sono perdeu a batalha
O gosto dos teus lábios não saiam
E na garganta, preso, entalado,
Permanecia o meu grito de tesão
Que ainda não soltei, deveras,
E que hei de libertar contigo
Numa noite mais longa que esta.

Trouxe-me ao teu peito descoberto
Levou-me ao frenesi de ti
Mostrou-me o limite do insaciável;
E agora, sozinho, sem sono,
Escrevo tentando afastar a excitação
Com que me deixastes abandonado.
Velo a noite dos frustrados
Olhando a chuva, esperando Hipnos.

25 novembro 2005

Rio

O rio que agora passa
Não é o mesmo que passou
Esse sou eu, metamorfo
Mutante, ininterrupto.
Nascendo sem morte
Desaguando ao mar longínquo

Cada dia, uma gota diferente
Cada minuto, uma visão
Cada queda, uma nova cicatriz

Sou eu, assim, rio
Agua cristalina de beber
Moradia da pesca alheia
Depósito de pedras talhadas
Represa de mim mesmo
Sempre em curso
Sempre diferente
Antes um, agora outro.

Ouvindo o Poeta falar

Meus dedos escorregando em teus braços proibidos
Exalando o perfume das vontades extremas
E o insaciável desejo da tua boca, meu Deus!
Como retive meu apetite de ti naquela noite!
Como controlei meus impulsos mais íntimos!

Tua boca de carne gritando pela minha
Tua testa pedindo um beijo afetuoso
E a tela jogando poesias que tocavam você e eu.
E os olhos ingênuos de quem não sabe e não pode
E eu e você entreolhando-nos sem precisar dizer

Fiz milagre em não forçar-te um carinho maior
Ouvindo o poeta falar de paixão intensa
Guardando o desejo pra depois, quiçá!,
Quando vou poder beijar tua boca com a vontade
Que no ínicio deste poema me impeliu à pena.

20 novembro 2005

Pontuando o Fim

.
Antes

Por que?
Quando?
O que?
Hã?
Onde?
Quem?

Durante

Deixa...
Seja...
Faça...
Tenta...
Fala...
Beija...

Agora

Foi.
Passou.
Acabou.
Gostei.
Obrigado.
Deixa pra próxima.

09 novembro 2005

Minhas Vidas

Minha vida dividida
Entre o medo e a ternura
Entre o tempo e a amargura
Entre o ódio e o perdão

Minha vida estilhaçada
Em pedaços pequenos de vidro
Em cacos sem nenhum sentido
Em gotas de sangue ao chão

Minha vida devagar
Andando em ritmo lento
Procurando repouso, acalento
Achando coisas em vão

Minha vida, que é só minha
Que antes era reticente
Que antes era de mais gente
E agora não é mais não

Minha vida cansada de se dar
Que fazia tudo por amor
Que silenciava, calava a dor
Jurava eterna aquela canção

Minha vida de mentira
Se afasta em boa hora
Me permite fazer do agora
Papel em branco e lápis na mão

Tatuagem

Poesia eternizada no corpo
É idéia que perdura no tempo
Em vão é o arrependimento

É sentimento gravado na pele
Externo, antes lá dentro
Quando chorou o coração em dor

Agora é uma marca de vida
Literalmente, cicatriz de momento
Lembranças perdidas de alguém

Eu mesmo, marcado em letras
Em uma pessoa que não mais é
O autor da eternizada poesia

Soneto Ingênuo

O que não é pra todo o sempre
Se faz preemente agora
Aproveitando toda a hora
Que restar deste presente

Quando se pensa, se demora
E a vida é intermitente
Parte falha, parte consciente
Monstro só, que ri e chora

E lá no deserto quente
Lá onde este monstro mora
Sem música, sem sol, sem gente

É lá que o presente aflora
Fazendo do monstro carente
Uma criança ingênua que te devora

Pretérito Imperfeito de Pequenas Coisas

Eu sentia falta de você também
De te encontrar em dias de semana
De você faltar a faculdade pra me ver
De sair sem dar explicação
De tudo o que você me disse.
Mas você precisa de um espelho estranho
Pra refletir o que é dos outros
Pra ficar medindo a relação
Pra saber se estávamos lá, ou não.
E a bomba estourou comigo
E a culpa ficou sendo minha
Sem saber o que tinha feito.
Meu erro foi ter começado cedo
Foi ter acreditado demais
Foi ter posto fé em excesso.
Aquela adolescente reprimida
Agora sai pra gritar a vida
Se rebela, se liberta das correntes.
Este passado de imperfeições...
Começo a me arrepender de ter começado.

Juliana

Meu chão que descobri tarde
Que agora me sustenta a vida
Em brigas se revelou amiga
Em falhas se revelou irmã
Difícil é escrever de ti
Palavras faltam, rimas não vem
Mas sentir tua alma com a minha
Sentir teu amor ao meu lado
Saber que você existe
Isto não dá trabalho algum
Pois o laço eterno que nos une
É o que nos guia a vida inteira
E é o que torna fácil a compreensão
Do sentimento mais profundo
Que alguém pode, em vida, sentir:
O amor de irmão para irmão.

Te amo Jujuba!

05 novembro 2005

Acróstico

Brinda esta viagem imponente
Reflita na rede comigo
Ultrapasse os limites do pensamento
Navegue em busca do sentimento
Admira a vida que passa na tua frente

Resquícios de velhos mares resistem
Ondas que batem em ti e em mim
Sente a brisa cair nos olhos
Sente o vento trazer novos ares
Ouve o ditado do "eterno aprendiz"
Nada que exista neste mundo
Impede a ti de ser feliz

04 novembro 2005

Eu Comigo Mesma

São vozes dentro de mim
Que falam de mim, que saem de mim
Conversando, gritando, sussurrando

São vozes que me perturbam
Que me despertam na madrugada
Que me aconselham loucuras certas

São vozes que me mostram caminhos
Uns tortuosos, outros lineares
Caminhos que levam a algum lugar

São vozes que me seguem
Se vou ou fico, não importa
Porque a presença é constante

São vozes sábias
Que conhecem a estrada
Que me conhecem desde o início

Sou eu comigo mesma
Me interpretando a cada dia
Me mostrando quem eu sou

Mas estou surda, não escuto
Porque não quero, ou não posso, sei lá!
Fico parada olhando o mundo passar
Traduzindo sinais
Vislumbrando images sem sentido
As vozes teimando em gritar
E eu teimando em permanecer surda

___________________

Comentário: Essa foi mais ou menos uma promessa, agora cumprida. Espero não ter desrespeitado nenhum de seus sentimentos. Se o fiz, desculpas, mas tentei ao máximo não fazê-lo. Bom, de qualquer forma, está aí o resultado de minhas divagações...

Uma Conclusão Torta

Solidão. Muita solidão.
Tudo o que acontece em mim
Se resume a isso: solidão.
Daí vem tristeza, aperto, rejeição
Meu coração murcho não aguenta
Choro sem verter lágrimas
Choro contido, por dentro
Tenho medo de meu futuro
Perdi o chão, perdi meu rumo
Tudo o que tenho sou eu mesmo.
E como me guiar? Como seguir em frente?
Não aguento a dor que sofro
Não tenho paciência de esperar
A casa toda escura dá o tom
Do sentimento que em mim urge
Me sinto abandonado, ao léu
Quero chorar, mas nem isso consigo
Estou perdido. Só isso que sei.

03 novembro 2005

Sem Rumo

Solto a mão do volante e piso fundo
Deixo a estrada guiar meu rumo
Fecho os olhos e escuto o vento no parabrisa.

Se eu bater, não me importo, pois
Sobrevivi ao pior acidente possível.
Não morrerei novamente.

Agora que o carona pulou fora,
Que dirijo o carro sozinho,
Não quero saber de freio.
Piso fundo e acelero a vida
E só paro quando acabar a gasolina.

02 novembro 2005

Cordel de Saudade ou Poema de Vontade?

Te quero de novo
Beijar tua boca como mel
Levar dois corpos ao delírio
Fazer carinho em tua nuca
Trazer abaixo o próprio céu.

Deixar rolar o que for
Mandar na própria rebeldia
Cair na noite sem horário
Beber cerveja, dançar, se olhar
Provocar sinestesia

Quero poder deitar na rede
E bater papo sem rancor
Tirar teu cabelo da testa
Pra olhar direto nos olhos
E poder falar de amor

Fazer a vontade tua
Fazer a minha vontade
Escutar as mesmas músicas
Ter os mesmos gostos
Ser fantasia e realidade

O impulso me impele ao ato
Mas a razão me puxa pra trás
O mundo é dividido em dois:
A pessoa que fica parada
E a pessoa que luta e faz

Te quero de novo
Mas não depende só de mim
Espero um sorriso teu
Que me indique a vontade tua
De a estas estrofes dar um fim...

01 novembro 2005

Cicatrizes

São marcas de uma luta
São impressões digitais da batalha
São identidades da experiência
São aulas da vida
São memórias
São ferruadas do destino
São gotas de lágrimas
São sorrisos mascarados
São gritos de dor
São lembranças eternizadas

São pra toda a vida
São na pele
São no coração
São em todo o lugar
Que possa machucar
Uma pessoa com amor na veia.

Cicatrizes...
Marcam a gente pra sempre

30 outubro 2005

A Despedida de Maria Luiza

Adeus pai.
Me despeço de tua esperança
Deixo, com rancor, minha futura vida
Sinto falta de você
Dos sonhos em que te visitei
Dos recados que enviei pelos outros
Fico triste em saber que não mais
Me pegará em teus braços
Que não me ensinára coisas da vida
Que não terá ciúmes de meus namorados
E já tenho saudades da vida que não terei.

Adeus mãe.
Adeus ao teu sorriso sincero
A tua vontade de ser minha amiga
A minha vontade de ser tua filha.
Desculpas pelos sustos que dei.
Mas foi o desejo incessante da vida
Que quase me empurrou pra ti.
Queria chorar no teu colo
Queria receber conselhos teus
Mas fica impossível vir sem amor.

Adeus a todos.
Adeus vovôs, tios, primos.
A todos que seriam meus próximos
A todos que por mim sonharam
Àqueles que me desejaram vinda
Não virei mais, nunca mais
Não sentirei mais a vida
Que não tive, mas quis ter.
Adeus ao mundo que eu esperava
E que admiro de longe agora

Adeus a mim mesma
Que sou e não sou.
Que vivo em memória morta
Que nasci em meros desejos
Que morri em momentos de mágoas

Enfim, adeus à vida que desejei
E que nunca mais terei.

29 outubro 2005

O Paraíso

Nada vale. Perde o sentido.
Deixa de ser maravilha
Pra se tornar lugar perdido.
Faz corações intactos
Magoarem-se sem motivo.
Destrói histórias a dois
Faz do sol astro decaído.

Mas paraíso é sempre lindo
Sempre será paraíso
Mesmo com toda a mágoa
Mesmo depois de qualquer friso
Depois de toda a tristeza
Ainda é onde se vê o sorriso
Que um dia começou a história
Hoje terminada sem aviso.

Paraíso é Paraíso
Mas sem amor, realmente, nada vale.

28 outubro 2005

Química Infernal

De olhos voltados para o chão
Chego na casa, largo a mala
Sento no sofá e espero o tempo passar.
Ela ali, fazendo a unha
E eu aqui, olhando o relógio.

Escrevo um texto, desabafo
Tiro do peito um saco de tijolos
Volto pra sala, pra televisão.
Ela ali, do meu lado
E eu aqui, fingindo tudo bem.

Tento dormir sem remédios
O pensamento vai embora pra trás
Acordo e tudo igual
Ela ali, de olhos vermelhos
E eu aqui, de olhos molhados.

Conversa, bebida, bronzeado
É difícil esquecer tudo
É fácil me perder em lágrimas
Ela ali, olhando pro mar
E eu aqui, olhando pro nada.

Mensagem no celular, êpa!
É dela mesmo? É isso mesmo?
Olho pra ela do meu lado
Ela ali, disfarçando a vontade
E eu aqui, surpreso e nervoso.

Puxo assunto, falo besteiras
Respondo a pergunta dela
Bebo mais um copo
Ela ali, contendo um sorriso
E eu aqui, pensando o que vou dizer

De volta pra casa, o papo continua
Um beijo nervoso acontece
Os outros invejam atônitos
Ela ali, colada ao meu corpo
E eu aqui, pensando no que fazer depois.

A noite chega, a gente sai
Vai pra farra, bebe de graça
Se beija, dança, faz besteira
Ela ali, me olhando e rindo de leve
E eu aqui, não acreditando.

A gente chega de carro
A gente fica sozinho
A gente dá uma volta
Ela ali, linda e nua em mim
E eu aqui, sem ação.

Deitados na rede, uma conversa
Papo vai, papo vem
O tempo voa e nem percebo
Ela ali, com suas manias estranhas
E eu aqui, falando de mim sem nexo

Voltamos pro mundo real
Tudo volta ao normal
Não posso dar um beijo
Não posso envolve-la em meus braços
Ela vai embora
E o telefone marca a distância
Mas não definha a vontade
Que tenho de beijá-la de novo.
E agora? Como consigo?

Ela lá
Eu aqui
E a química infernal entre nós dois.

25 outubro 2005

Orgasmo

Olho pro papel em branco
Idéias estranhas pintam na cabeça
Um calor ardente sobe todo o corpo
O instinto leva a mão à caneta
Tento controlar o impulso
Me esquivo do testão latente
Só penso em letras coloridas
Acaricio o papel, sinto sua carência
A excitação aumenta em palavras.
Penso o título em voz alta.
Já não aguento esperar mais.
Levo a caneta à folha
E ejaculo tinta no branco intacto.
Em êxtase, não penso ou olho nada
Ao final, abraçando o papel riscado
Reconheço nele parte minha.
Fumo um cigarro, levanto da cadeira
"Foi bom"? Respondo eu mesmo: "Foi".
O tesão vai embora aous poucos
A vontade começa a passar
Pego telefone e ligo pra alguém
"Você não sabe o que acabou de acontecer..."
Concluo: escrever é como o sexo
Não basta sentir tesão, gozr, admirar
Tem que contar a todos
Se não, não tem graça.

23 outubro 2005

Transtorno Obsessivo Compulsivo

Não sei o que dizer na sua frente
Não sei como agir na sua frente
Mas foi maravilhoso o que vivi.
Não estava bem, e ainda não estou
Mas estou melhor por sua causa.
Lamento não corresponder
Minha mente vaga não deixa
Mas o que aconteceu foi ótimo
Por que foi contigo, pessoa linda.
Queria poder recompensar
Os erros que cometi, os beijos desengonçados
Os abraços vagos, as poucas palavras;
Até as dívidas que deixei.
Mas o que faço é escrever este poema tosco
Cambaleante das pernas
Pra conseguir botar pra fora
A vontade que tenho de te ter
Em volta de meus braços novamente,
Sem pensar no passado ou no futuro,
Sem pensar em nada.
Só pra estar ao teu lado,
E poder sentir uma coisa
Que há muito não sinto:
A vontade de amar a vida.

20 outubro 2005

No Escuro

Tirei o teto de vidro,
E botei um de telha de ferro.
É mais resistente.

Se chover não molha,
Só escuto o barulho da chuva;
Se cair granizo não quebra,
Esfarela o gelo em pó;
Se nevar, derrete,
E a água se derrama ao chão;
Se ventar, me protejo,
E o vento muda a direção.

O único problema agora
É que o sol se foi pra sempre.
Vivo no escuro, tateando coisas
Encontrando pequenas felicidades
Em pequenos achados.

15 outubro 2005

O que aprendi

O impossível não existe.
Nada é para sempre.
"Cuide bem do seu amor".
Sinceridade acima de tudo.
A vida dá muitas voltas.
Tombos são feitos pra se levantar.
Orgulho é a pior coisa do mundo.
Lutar acima de tudo.
O mundo se divide entre pessoas que fazem e que ficam paradas.
Amar é a melhor coisa do mundo.
Se arrepender faz parte da vida.
Nada no mundo é perfeito.
Quando muito se quer, nada se tem.
A vida continua.
As coisas mudam de lugar, mas não deixam de ser o que são.
Saber enxergar o bom, ao invés de só enxergar o que está errado.
Não dá pra se ter certeza de nada.
Não existe amor perfeito, constante ou ideal; existe simplesmente amor.
Costume, amor e dúvida são coisas que se confundem.
O futuro é incerto.
Não me arrependo de quase nada.
Nunca se pode ter tudo o que se quer.
As pessoas mudam, com o tempo, com tombos ou com uma simples conversa.
Eu me amo.
Esperança as vezes é ruim.
Não desistir nunca, mas saber aceitar a realidade.
Tudo pode acontecer.
Amar é muito complicado, e ninguém sabe como.
Amizade é importante pra tudo na vida.
Erros devem ser admitidos e redimidos.
Nunca terei o meu passado de volta; mas posso mudar meu futuro.
Tenho amigos em minha família.
Tristeza passa.
Amor não acaba; se transforma ou apenas desaparece.

11 outubro 2005

O humanismo de Daniel

Sou um humanista. Acho que já escrevi isto em outro momento, mas não tem problema; falo de novo. Sou um humanista de carteirinha. Realmente acredito no ser humano, ainda tenho fé nele. Ainda... Quando falo isso lembro do memorável discurso final de John Milton (interpretado por Al Pacino no filme "Advogado do Diabo") onde ele fala que ele, o Diabo, é talvez o último humanista. Não sei se existe um só humanista, mas realmente existem poucos. E eu sou um deles.
Ainda acredito em sentimentos. Acredito em sinceridade, em respeito, em compaixão, em piedade, em honestidade, em lealdade, em verdade, enfim, poderia enumerar milhões de sentimentos humanos. Acredito neles. Ainda...
Ainda consigo enxergar o ser humano capaz de um convívio social. Ainda vejo ele pensando no próximo, se preocupando com o outro, fazendo para que o semelhante tenha um bom viver. Ainda...
É por isso que quando se trata de relações humanas eu caio de cabeça, entro com tudo, vou sem medo. Em tudo na minha vida eu me entrego de todo. E faço as coisas com amor, com prazer, com paixão mesmo. Sempre fui assim. Por isso que não gosto de planejar as coisas em minha vida; por que acredito no ser humano. Ainda...
O leitor atento e curioso deve estar pensando neste "ainda", com direito a reticências. Pois exlpico. "Ainda" porque cada dia que passa fica mais difícil acreditar. A vida vem me tentando provar que o ser humano não é o que penso que é, e eu teimoso, resisto. Sempre fiz tudo pensando e acreditando nesta minha premissa. Sempre pensei no outro. Sempre mostrei pra todos como gostaria de ser tratado. Sempre tentei fazer tudo direitinho, tudo as claras, tudo pra que o próximo de mim não se machucasse, acreditando (quantas vezes escrevi esta palavra?) que em situação contrária fariam o mesmo comigo. Afinal, quando a gente trata uma pessoa de uma forma, a gente tá dizendo pra ela também como ela deve agir conosco. Me repito...
A vida vem me ensinando que o ser humano é egoísta, mesmo sem querer ser; é da natureza dele. Paradoxo: o ser humano não é humanista. Existem alguns sentimentos que comprovam a malfadada tese: medo, mentira, egoísmo mesmo, desconfiança, descrença, confusão, imaturidade, e mais uma penca. Estes, por sua vez, acabam gerando o contrário daqueles primeiros de que falei acima. E saí daí que nenhuma relação humana é plenamente possível. Forte, porém, ao meu ver, falácia.
Isto tudo é ruim. conforme estas lições vão se dando, o coração vai empedrando, recrudescendo. A vida vai perdendo a inocência, a ingenuidade, a infantilidade. A gente vai enxergando as coisas com frieza, de forma calculista; vai deixando de se entregar, tudo vai ficando sem paixão, sem graça. Por um lado é bom aprender como as coisas funcionam no mundo. É bom perceber quem o ser humano realmente é. Deixar de ser babaca, pensar um pouco em si mesmo. Por outro, perde-se o sentido da vida. Vejam, começo a falar como descrente. São as porradas que a gente toma...
Me orgulho de tudo o que fiz. Tenho a certeza de que me entreguei de cabeça em tudo na minha vida. Tenho certeza que mostrei quem sou em todos os momentos. Existem, inclusive, situações que me dão prazer de revisitá-las na memória, lembrando o que fiz. Só que o mundo dá voltas (clichê!) .O feitiço pode virar contra o feiticeiro (outro clichê!!!). É a lei do eterno retorno. E aí? Será que vão lembrar de você, como você lembrou do outro? Quase não existem humanistas, disse eu no início do texto. Sou um dos poucos. E é sempre do nosso lado que a corda arrebenta. O ser humano é egoísta por natureza, mesmo não querendo ser.
Assim fica difícil ser humanista hoje em dia. É a vida tentando me avisar que as coisas são mais complicadas. É ela tentando me trazer pra luz, tentando me mostrar o que é o ser humano por dentro. É ela tentando me desacreditar. Mas hesito. Teimoso e tolo, resisto aos golpes que recebo. Sou humanista. Ainda...

10 outubro 2005

Caminhos

Caminhos que já seguiram juntos
E que agora são opostos
Podem no futuro se cruzar novamente
Podem se afastar cada vez mais
Podem ser interrompidos
Podem mudar de rumo
Podem perder o rumo
Podem se atrair, se repelir
Podem muita coisa.

O que sei é que estes caminhos
Partem de um mesmo ponto,
Tem o mesmo início.
E que não se pode voltar.
O que se pode é olhar para trás
E ver que caminho escolhemos.
E seguir em frente.
Seja qual for o caminho,
Eles podem muita coisa.

22 setembro 2005

Clichês

Fico escutando músicas de melancolia
Na esperança de ter algum conforto.
Dor é o que sinto o dia inteiro.
O corpo entorpecido não levanta da cama
A cabeça não volta pra casa
O coração acelerado...
Tristeza é meu relógio
O tempo vai passando
E vou deixando de lado a ternura.
A mágoa instalada não sai
O orgulho não cai
E fico assim,
Escrevendo clichês na esperança
De que algum deles console
O peito dolorido de um falso poeta.

21 setembro 2005

Curta

Não aguento mais
A falta que ela me faz.

20 setembro 2005

Um momento de mágoa

Não sei porque
Não sei o por que.
É tão óbvio pra ela;
É tão claro pra ela;
É tão fácil pra ela
Saber o motivo.

Porque logo eu?
Não sei mais onde estou,
Não sei se tenho chão,
Não sei mais o meu caminho.

O que será de mim agora:
A incerteza de uma verdade que ruiu.
O tempo que não volta mais e não voltará.
A mágoa que fica e não vai.
A dúvida...

Este não é um poema, não pretende ser.
É um texto repartido,
Como o peito que desabafa em palavras
A experiência de ter vivido
O pior momento de um amor eterno.

26 agosto 2005

Lápis e papel na mão

Curtos versos que escrevo...
Pequenos na elegância,
Rudes na abundância.
Sem mais
Nem menos.
Magistrais.
Pequenos.
Instantâneos do pensamento,
Miscelâneas
Acalentos.
Eu.
Curto os versos que escrevo...

23 agosto 2005

Vácuo

Produção em massa
de velhas cantigas
antigas como o papel em que
agora escrevo.

Vidas desmanteladas,
deixadas de lado
até por quem canta
desejando o ser vazio.

Vozes da multidão
sem refletir o seu mundo
sem refletir nada
daquilo que somos.

Vontade de ser
o que os outros querem ser
o que todos querem que seja
o que eu não quero ser.

Vazio que me resta;
Vozes dissonantes;
Vontades desajeitadas;
Sinceridade perdida.

20 agosto 2005

Maria Luiza

Se ela vier, que seja para o bem
Se ela estiver, que seja com ela
Se ela viver, que seja comigo
Se ela perder, que seja mais tarde.

Eu a vi em sonho
Eu chorei com ela
Eu olhei seus olhos
Eu sorri seu sorriso

Só não vi seu nome
Só não sonhei com seu nome
Só senti seu nome
E por isso que dou a este poeminha
O nome que não sei se é dela
Maria Luiza

22 julho 2005

Do Meu Jeito

Há palavras que encantam
Outras que alegram, que impõem respeito
Há palavras que ferem, as que enganam
Enfim, há palavras para todo o pleito
Mas para este peito amargurado
Cansado de ser sujeito
De não ter feito, ou acabado,
Ou achado o caminho perfeito
Para este amargurado peito
Não há palavra que acabe,
Não há acaso que desabe
O insaciável desejo de ser
Eu, do meu jeito.

18 julho 2005

Sem nome

Esse mal que me vicia
É o mesmo que me liberta
É quem me deixa ao chão, fraco
É hóspede que nunca sacia
Enquanto não encontra peito
Que, vazio, aceite sofrer

Encontrado o coitado
Rasga-lhe a pele em furor
A fim de preparar terreno
E, rompidas as entranhas
Está condenada a vítima
A dormir pra sempre
O amor eterno.

__________________________________

Esse poeminha escrevi há alguns (leia-se muitos) anos atrás. Não colocaria ele aqui, mas resolvi fazê-lo para ilustrar a minha ingenuidade, que ainda tenho e preservo, mas que era muito mais doce quando ainda podia me chamar de criança.

07 julho 2005

A Casa

Olho para aquela casa antiga,
Agora pintada de amarelo e branco,
Agora com portões na entrada da vila,
E não mais reconheço a criança que em mim dormia
Ali vivida e esquecida,
Que outrora regozijava o coração
E agora nostalgicamente o apequena
Diante de lembranças tão singelas
E de um presente de insensibilidades.
E fico parado olhando aquela casa,
Esperando minha vó sair gritando meu nome
Porque o almoço já está pronto,
E então eu paro a brincadeira
E volto correndo para o colo dela
Pra ela me levar pra dentro com carinho,
E sentir de novo aquele gosto de bife-à-milanesa
E depois dormir, e brincar de marceneiro
No sótão, e fingir dirigir o carro de madeira
Que meu avô fez pra mim.
E aí voltar para a rua pra ficar brincando
E ficar com medo da vizinha chata
Fazendo travessuras só pra irritá-la,
E ficar longe da casa mal-assombrada
Inventando estórias de fantasmas,
Vendo fantasmas, fugindo de fantasmas,
E passar o fim de tarde na calçada
Cumprimentando os passantes
Com minha vó me fazendo cafuné
Ouvindo causos de cabelos brancos
Até dar a hora da minha mãe chegar
E me trazer de volta pra onde estou
E me fazer concluir que aquela casa
Tão antiga e tão presente, tão amarela e branca
É um monumento há muito tempo erigido,
Ao ilustre desconhecido passado de minha vida.

04 julho 2005

Às 3 da madrugada

Pensamentos me atropelam o sono às 3 da madrugada.
Meus olhos abertos no escuro não enxergam nada.

Acendo a lâmpada. Ofuscado, pego a caneta e o papel,
E escrevo tolices sem sentido algum.
O relógio me ameaça com o tempo em punho,
O controle me seduz como remédio pra minha insônia,
Livros e cruzadas me aliciam na mesa-de-cabeceira.
Recuso tudo por preguiça.

O ventilador quebrado, meus porta-retratos,
Meu colchão macio demais...
Tudo conjurando contra meu descanso.
A falta do que escrever me faz reconsiderar,
E enfrentar os infortúnios. Fecho os olhos. É isso,
Ou ficar escutando o galo cantar às 3 da madrugada.

02 julho 2005

Vagas idéias para rimas tolas

Pensamento perdido
Poema escrito
Pensamento ao longe
Poema se esconde
Pensamento, solidão
Poema, ilusão
Pensamento inteligente
Poema coerente
Pensamento drástico
Poema fantástico
Pensamento certo
Poema incerto
Pensamento que foge
Poema que foge
Pensamento rápido
Poema ávido
Pensamento pequeno
Poema veneno
Pensamento voando
Poema chegando
Pensamento, magia
Poema, poesia.

29 junho 2005

Fotoinspiração


Singela na imagem,
Doce no coração.
Luz escura que necessito,
Minutos que voam,
É musa, é canção.

É livro que leio a noite.
Distâncias que separam,
Corpos que se unem,
No escuro, saudades são açoites,
E sonhos não calam.

Minutos que voltam,
Escuro de solidão,
Imagem eternizada,
Canção memorizada,
Musa no coração.

27 maio 2005

Mais um dia (em que esperei o sol nascer)

Vejo as horas passando com angústia
Sinto o tempo se esvaindo de minhas mãos
E apesar de poder fazer algo
Não faço

Fico olhando o mesmo quadro
Ando pelo mesmo caminho
Várias vezes canto a mesma música
E as horas passam...

É sempre a mesma coisa.
Angústia

03 maio 2005

Rótulos

Felicidade inatingível
Meta de uma vida plena
prisão libertária

Quem sabe o que é?
Se existe...
Se teima em existir...
Se não é...

Oxalá tivesse respostas!
Minha incerteza do que quero
É o que tenho a me oferecer.

Felicidade é... Não sei.

22 fevereiro 2005

VIDA...

O que é isto que vem de fora,
que faz doer, que me corrói
que quer me expulsar daqui?

Aqui dentro é tão bom,
tão quente e tão aconchegante.
Sou feliz com este lugar.

Esta força que vem de fora,
força que me é familiar,
faz força pra me tirar daqui.

Me sinto mal, dói.
É a dor de alguém que me contamina.
É um desejo ruim que não entendo.

Sinto frio, quero ficar.
As paredes ásperas tentam me expulsar
mas reluto, quero ficar.

O que vem de fora é mais forte,
minha dor aumenta, sou frágil
Está cada vez mais escuro.

Alguém me ama, eu sei
Ainda há algo de bom,
mas a força de fora é mais forte

Sinto uma dor insuportável,
estou quase congelando,
me sinto cada vez menor

Não deixe esta força entrar!
Estou com medo, quero ficar
Alguém ainda me ama, socorro!

Tarde demais. Adeus...